Título: 'Devo muito, mas muito, ao Palocci', diz Lula
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/03/2006, Nacional, p. A6

Presidente passa o dia defendendo o ministro e garantindo que ele 'tem prestado serviços extraordinários' e não sai nem que peça demissão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou o dia de ontem defendendo, em palanques de Santa Catarina, o ministro Antonio Palocci. Disse que deve muito a ele por tudo que seu governo conseguiu na economia e que, ainda que Palocci lhe pedisse demissão, não aceitaria.

Em São Francisco do Sul, Lula começou citando obras de infra-estrutura que seu governo fez, ampliação das exportações, queda do risco-País, superávit em conta corrente e na balança comercial, economia de US$ 900 milhões com pagamento da dívida de US$ 15,6 bilhões com o FMI. "Consertar o Brasil, do jeito que nós pegamos, se não fosse Deus e vocês, a gente não agüentaria", disse, obtendo a cumplicidade do público.

"Eu devo muito, mas muito de tudo o que nós fizemos a um homem chamado Antônio Palocci", reconheceu Lula. "Ele ganhou respeitabilidade no mundo inteiro pela sobriedade e seriedade no trato das questões econômicas", avaliou, para lembrar que, na política econômica atual, o governo só gasta aquilo que tem. "O País deixou de ser um País de aventuras eleitorais, porque na época das eleições se promete tudo, se gasta o que não tem, e depois o povo paga o preço".

Em Itajaí, onde passou três horas, o presidente disse que não irá aceitar um pedido de demissão do ministro. Ao terminar a cerimônia de batismo de um barco pesqueiro na cidade, Lula fez novamente sua defesa, de modo veemente. "Ele não pediu demissão. E se pedisse, eu não aceitaria", garantiu no final da cerimônia. "O Palocci é um homem que tem responsabilidade pelas coisas boas que aconteceram na economia nacional, é um homem que tem prestado serviços extraordinários ao Brasil".

TORCIDA CONTRA

Apesar de não citar diretamente seus opositores, o presidente voltou a atribuir à oposição o aparecimento do caseiro Francenildo Costa e as novas denúncias envolvendo o ministro. "Lamentavelmente, parece algumas pessoas torcem para que o Brasil não dê certo, torcem para que haja um desastre. Na história brasileira é assim. Tem sempre gente trabalhando e torcendo para que as coisas dêem errado", afirmou.

No entanto, advertiu, a "torcida contrária" não vai abalar o governo. "Nós vamos continuar, eu e o Palocci, com a mesma serenidade, o mesmo trabalho. E a economia vai ficar mais forte", garantiu.

Aparentando bom humor, o presidente visitou o navio pesqueiro Paulo Cantídio, tocou o sino e riu muito quando a garrafa de champanhe que seria usada para batizar o navio acabou caindo no chão e se quebrando.

Em Laguna, no Sul de Santa Catarina, Lula prosseguiu na defesa do ministro, dizendo diante de uma platéia de 600 pessoas que "começaram uma guerra" contra ele. "Parte das coisas que deram solidez à economia brasileira nós devemos ao companheiro Palocci", repetiu, interrompido por aplausos de militantes com bandeiras petistas. Palocci é "e continuará sendo" seu ministro da Fazenda, avisou . O presidente destacou a importância do controle da inflação e ressaltou que o Brasil está no "caminho certo". E prosseguiu: "Garantir que a inflação fique sob controle é condição fundamental para que o salário do trabalhador possa valer alguma coisa." Lula lembrou que a inflação hoje é de 4,5% ao ano, diferente do cenário de inflação de "80%, 40% ao mês".