Título: Presença de crucifixo em seções eleitorais provoca polêmica
Autor: Reali Júnior
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/04/2006, Internacional, p. A9

A presença de crucifixos nas seções de votação causou polêmica em três colégios eleitorais durante a primeira jornada de votação das eleições gerais italianas. Alguns cidadãos pediram a retirada dos crucifixos e ameaçaram não votar se o símbolo religioso não fosse retirado das salas.

Em Cornuda, no noroeste, uma pessoa consultou o responsável pela seção eleitoral e retirou seis crucifixos das salas de votação. Sobre este episódio, o chefe regional do grupo Força Itália (partido do primeiro ministro Silvio Berlusconi), Remo Sernagiotto, lamentou que o responsável pela localidade não tenha interferido para "devolver um dos símbolos mais importantes da nossa cultura a seu lugar".

Em Amelia, na região central da Itália, o presidente do colégio eleitoral local ordenou a retirada dos crucifixos, o que causou protestos dos representantes da coalizão de centro-direita presentes no local. O senador democrata-cristão Maurizio Ronconi classificou o episódio como uma manifestação de intolerância.

Em Senigallia, também no centro do país, um eleitor que se declarou ateu decidiu renunciar o seu direito ao voto depois que seu pedido para que o crucifixo fosse retirado foi negado pelas autoridades eleitorais locais. O cidadão pediu que fosse incluído em um atestado que ele foi "impossibilitado de votar pela presença do símbolo da religião católica apostólica romana, chamado crucifixo, na sala de votação".

Em uma nota, a Força Itália criticou a remoção do símbolo religioso de alguns locais e ressaltou: "O crucifixo é símbolo da nossa cultura e de nossas tradições."