Título: Imprensa européia se declara anti-Berlusconi
Autor: Reali Júnior
Fonte: O Estado de São Paulo, 10/04/2006, Internacional, p. A9

Se o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, dependesse da imprensa internacional para permanecer no posto de chefe de governo, poderia ficar desde hoje na sua mansão de Vila Certosa, na Sardenha, onde passou o fim de semana após ter votado em Arcore, na região de Milão. Existe uma quase unanimidade anti-Berlusconi na imprensa européia e de outras partes. O Herald Tribune, jornal de língua inglesa circulando na Europa, afirmou que as eleições legislativas seriam um "veredicto" contra Berlusconi.

O Financial Times, de Londres, confirmou que o centro-esquerdista Romano Prodi liderava as pesquisas, mas salientou que a campanha eleitoral italiana foi marcada por um clima político deplorável. O jornal de referência britânico lembrou que durante a campanha Berlusconi prometeu, caso fosse derrotado, mudar-se para o Taiti. Ele aparece numa charge em pleno mar tropical carregando uma coroa de flores.

Já o semanário de esquerda francês Le Nouvel Observateur preferiu o título "Uma derrota anunciada e uma campanha desesperada" para referir-se às eleições italianas. O londrino The Guardian assinalou: "Os eleitores parecem dispostos a suspender o compromisso com o bilionário que decidiu dividir o país." O enviado especial do canadense Toronto Star (jornal em que Ernest Hemingway escrevia), Sandro Contenta, considerou "excessivas" as críticas da imprensa, mas acrescentou que a única coisa que podia dizer é que "Berlusconi não fez o que devia para pretender um novo mandato".

O L'Express preferiu denominá-lo o "príncipe da arte vulgar", um "Don Coglioni", alusão àa forma vulgar e indecorosa com que acusou os seus adversários no final da campanha, enquanto o Wall Street Journal referiu-se a sua "inigualável conduta, vilã e mesquinha, uma encarnação dos piores italianos" . O Le Soir, de Bruxelas, definiu Berlusconi como o representante de "uma Itália de lantejoulas e demagogia". Quanto ao alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, preferiu utilizar ironia contra o dirigente da Força Itália: "Bem-vindo à Itália, que está para liberar-se do Cavaliere."