Título: Para general, ação longa do Exército causaria 'baixas'
Autor: Felipe Werneck, Roberta Pennafort
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/03/2006, Metrópole, p. C7
Chefe do Estado-Maior diz que CML está pronto a colaborar com a polícia
Apesar do roubo de 11 fuzis e uma pistola de um quartel no Rio, no dia 3, que desencadeou a operação do Exército em favelas, o general-de-brigada Hélio Chagas de Macedo Junior, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste (CML), nega que as 50 unidades da força no Estado estejam vulneráveis. Ele admite que "pequena parcela" dos 13.500 recrutas dispensados anualmente é "suscetível" à cooptação pelo tráfico, mas afirma que a violência "não é privilégio do Rio". "Cada cidade grande tem o seu problema. Se no Rio é o tráfico, em São Paulo é o seqüestro." Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida pelo general ao Estado:
BALANÇO DA OPERAÇÃO
"Acredito que foi uma ação de sucesso. Os 12 dias foram uma experiência muito importante, até diferente. Desta vez, a atuação nos levou a áreas com população envolvida. A asfixia é uma tática a ser empregada, porque o prejuízo econômico (para o tráfico) foi muito grande. E também pela permanência e firme vontade de recuperar as armas. Quando nos agrediram mais frontalmente em duas comunidades, revidamos. Então eles também passaram a correr risco de vida, não ficou só no prejuízo econômico."
DENÚNCIAS DE ABUSOS
"É muito improvável que tenha ocorrido. Dificilmente um soldado age isoladamente, sem o controle de um comandante. E a imprensa esteve conosco em praticamente todas as ações. Algumas afirmações são descabidas, porque não houve excesso."
HOUVE DESPROPORÇÃO?
"Em alguns locais a tropa foi recebida com violência e precisaria ter estrutura para responder. Acho que a estratégia foi adequada. É claro que, com mais tempo, uma ação permanente, fatalmente eles teriam baixas, sempre preservando a população. É um embate complicado quando há crianças, população."
LIÇÕES
"O trabalho da força-tarefa, com os órgãos de segurança, foi positivo. Também o comportamento da tropa, preservando a população, e o acompanhamento das ações pela mídia."
SEGURANÇA NOS QUARTÉIS
"Já existia um plano de segurança das unidades. Paióis e reservas de armamentos são pontos fortes que têm de ser defendidos. Já existe um padrão, o que houve foi um problema na conduta daquela unidade. São poucos casos, foi quase exceção."
ALISTAMENTO
"Há controle de quem se alista em todo o País. Verifica-se se há passagem pela polícia, se o jovem vive em área de risco muito grande. Mas não é esse o problema. Às vezes, ele mora em área de risco e é de família boa. Claro que sempre escapa alguma coisa. Às vezes, o jovem entra e pode perder a cabeça, ser cooptado pelo crime organizado."
TRAMPOLIM PARA O CRIME
"Se é elemento temporário do Exército, quando sai, pode ser cooptado. No Comando Militar do Leste, temos em média 15 mil recrutas por ano e 10% conseguem ficar mais de um ano. É muito pequeno o número de militares que, quando regressam à vida civil, aplicam-se pelo mal.
PAPEL DO EXÉRCITO
"Acredito que a segurança pública é muito bem conduzida, mas o problema não é privilégio do Rio. Cada cidade grande tem seu problema. Se no Rio é o tráfico, em São Paulo é o seqüestro. Até no interior há problemas.Mas o Exército está pronto a colaborar, se solicitado."