Título: Para Tarso Genro, movimento é 'social'
Autor: Roldão Arruda
Fonte: O Estado de São Paulo, 18/04/2006, Nacional, p. A4
Ao comentar a onda de ocupações e saques deflagrada ontem pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) em vários pontos do País, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, não condenou a iniciativa, mas disse que, como todo movimento social, deve ser "tratado dentro da lei". "O MST é um movimento social. Ninguém, nenhum partido, tem controle sobre o MST", afirmou.
O ministro não demonstrou preocupação com a possibilidade de as ações se intensificarem, provocando uma onda de violência no campo. "O País está com todas as instituições funcionando. Os Poderes Judiciário, Executivo, Legislativo, as estruturas de poder dissuasório, policial. Movimento social tem que ser tratado como movimento social. Tratado dentro da lei, da ordem jurídica, da ordem constitucional. Isso faz parte da democracia", declarou o ministro, depois de uma visita à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie.
Tarso lembrou que os sem-terra divergem do governo na avaliação sobre "o nível em que se encontra a aplicação da reforma agrária". O ministro disse que fez uma visita apenas "institucional, entre Poderes" e não tratou de temas que preocupam o governo.
Segundo avaliações do governo, apesar das críticas do MST ao governo, o movimento não vai atrapalhar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.
RURALISTA
A nova onda de invasões pegou os fazendeiros de surpresa. Muitos não sabiam, até a tarde de ontem, que suas fazendas tinham sido invadidas. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, disse que a ofensiva foi uma provocação. "O MST está desesperado à procura de cadáveres. Como está mal perante a opinião pública, quer fabricar um mártir."
Não pode ser outro o objetivo, segundo ele, da invasão de dez fazendas num único dia na mesma região. "Eles querem o confronto e há tempos estamos alertando as autoridades para o risco de termos no Pontal do Paranapanema outra Eldorado dos Carajás", afirmou, numa referência ao confronto entre a Polícia Militar e os sem-terra, há 10 anos, no Pará.
Nabhan disse que os sem-terra, então, partiram para o confronto com a polícia. "Mas nenhum líder deles foi sequer processado." O ruralista afirmou que a UDR vai pedir à polícia o enquadramento dos que lideraram as invasões no Pontal.