Título: MST rebate denúncias de uso de drogas
Autor: Lígia Formenti e Fabíola Salvador
Fonte: O Estado de São Paulo, 19/04/2006, Nacional, p. A12

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) considerou infundadas as acusações feitas por dois dissidentes que fugiram de um acampamento de Coqueiros do Sul dizendo que sofriam ameaças de morte e que há armas, drogas e ocorrências de estupros entre os sem-terra. Em nota divulgada ontem, a direção estadual do movimento no Rio Grande do Sul afirmou que as denúncias pretendem confundir a opinião pública num momento em que há uma pressão mundial pela punição dos culpados pelo massacre de Eldorado dos Carajás.

O texto considerou "absurdas" as denúncias de violência e de estímulo ao consumo de drogas, visto que a prática dos acampados é tomar decisões coletivas e coibir tais atitudes. Acrescenta que os denunciantes foram expulsos por não respeitarem as regras de convivência da comunidade. Um dos coordenadores do MST, Cedenir de Oliveira, disse que um deles teria batido numa mulher e ateado fogo a um barraco em meio a diversas bebedeiras. O outro teria problemas com álcool e não cumpria as tarefas determinadas pela coletividade, como respeito ao horário de silêncio, comparecimento aos turnos de vigilância e participação nos trabalhos da horta e da cozinha.

Para o dirigente do MST, os dois dissidentes fizeram as acusações a mando de algum "poder político maior". Afirmou, ainda, que o grupo RBS e a polícia gaúcha estariam interessados em criminalizar o MST. Justificou a acusação contra e empresa de comunicação pela presença permanente de uma equipe de reportagem perto da Fazenda Coqueiros.

'HOMENAGEM'

A Brigada Militar gaúcha pretende desmontar hoje os 19 barracos que os sem-terra construíram anteontem na Fazenda Coqueiros. O MST diz que não se tratava de invasão já que os militantes nem ficaram na área: eles teriam construído os casebres em homenagem aos mortos de Eldorado dos Carajás.