Título: Eletrobrás espera crescer no exterior
Autor: Fernando Dantas
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/04/2006, Economia & Negócios, p. B4

Os principais objetivos da Eletrobrás hoje, segundo seu presidente, Aloisio Vasconcelos, são aumentar a atuação internacional e, no mercado interno, atuar como sócia minoritária em grandes projetos rentáveis. "Queremos vender a engenharia brasileira, a nossa expertise na construção de usinas e linhas de transmissão", afirma Vasconcelos, sobre os planos para o exterior. Para ele, a companhia tem forte potencial para articular e coordenar projetos internacionais, envolvendo consultorias, projetistas, empresas de montagem e até fabricante de equipamentos.

A Eletrobrás não pode atuar diretamente no exterior, de acordo com a lei que criou a estatal há 45 anos. Mas, por meio de suas subsidiárias, ela toca projetos ou tem planos em diversos países - como Namíbia, Angola, El Salvador e Chile - e fechou parcerias com empresas elétricas na Coréia do Sul e China.

As parcerias dão condições à Eletrobrás e às empresas brasileiras de "enfrentar franceses e canadenses" no mercado internacional de projetos de eletricidade, segundo Vasconcelos. Mas agora, porém, a empresa quer a permissão para atuar diretamente no exterior. "Queremos atuar com a 'grife' Eletrobrás, que tem uma tradição maior do que a das subsidiárias."

O projeto para alterar a lei e permitir a atuação internacional já foi aprovado em todas as instâncias internas da estatal e no Ministério de Minas e Energia. Mas permissão tem de ser aprovada pelo Congresso.

Um dos objetivos principais no Brasil, informa o presidente, é viabilizar projetos rentáveis, com retorno mínimo em torno de 12% ao ano. A estratégia é fazer parcerias como sócia minoritária e, no momento, a empresa se prepara para os leilões de energia nova em junho e agosto. "Os grandes alvos são projetos no Rio Madeira, como Santo Antônio e Jirau, com 6,4 mil MegaWatts", diz Vasconcelos.

Ele não vê tendência à reestatização no setor elétrico brasileiro. A estratégia de participações minoritárias, explica, deve atrair parceiros estrangeiros, como a espanhola Neoenergia, que lidera o projeto da Usina de Baguari, assumido no último leilão, e que está associada à Eletrobrás para disputar o projeto da Usina de Dardanelos (MT) .