Título: EUA dizem que seu padrão de TV facilita fábrica
Autor: Renato Cruz
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2006, Economia & Negócios, p. B13

Em carta a ministros, detentores da tecnologia ATSC afirmam que haveria mais escala

Os americanos enviaram uma carta aos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Hélio Costa (Comunicações), afirmando que seu padrão de TV digital, chamado ATSC, atrairia mais facilmente uma fábrica de semicondutores para o País. Não propõem, no entanto, nenhum compromisso firme. Europeus, com seu DVB, e japoneses, com o ISDB, também evitaram fazê-lo.

O governo brasileiro iria decidir no mês passado qual padrão seria adotado no País, mas adiou a definição. Atualmente, negocia com os detentores internacionais das tecnologias a instalação de uma fábrica de chips. No ano passado, as importações de semicondutores chegaram a US$ 2,9 bilhões.

"De fato, na opinião do Fórum ATSC, seria mais fácil apoiar a instalação de uma fábrica de circuitos integrados no Brasil se o padrão ATSC fosse adotado", afirmou Roberto Graves, presidente do Conselho do fórum, que assina a carta. "Isto porque o mercado maior e mais natural para as exportações brasileiras seriam as Américas, onde são usados canais de 6 MHz, em oposição à Europa, onde canais de 8 MHz são predominantes."

Em sua carta, os americanos dizem que a européia STMicroelectronics, que conversa com o governo brasileiro sobre estudos para instalação de uma fábrica, apóia tanto o padrão americano ATSC quanto o europeu DVB para o Brasil, enquanto se opõe ao japonês. A subsidiária brasileira da empresa, que faz parte da Coalizão DVB, não tinha informações a respeito. "Além de sua atividade no DVB, a STMicroelectronics é um integrante do ATSC e do Fórum ATSC", destacou Graves na carta.

Os americanos sugerem que o Brasil atraia ao País empresas de projetos de circuitos integrados, que exigem investimento menor, no lugar de fábricas. A Motorola tem um centro de projetos, ou Design Center, em Campinas. Na carta, o Fórum ATSC questiona a viabilidade econômica de uma unidade fabril. "Se for viável a instalação de uma fábrica, a STMicroelectronics se mostra muito mais bem posicionada que fabricantes japoneses para trazer uma indústria vibrante e competitiva ao Brasil."