Título: Polícia Federal intima Palocci a depor na quarta
Autor: Lisandra Paraguassú
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/04/2006, Nacional, p. A10

Ex-ministro é suspeito de ter participado da quebra ilegal de sigilo bancário de caseiro que o desmentiu

O depoimento do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci à Polícia Federal (PF) no inquérito sobre a quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, ficou para quarta-feira. Palocci chegou a ser intimado mais uma vez na tarde de ontem e deveria depor na segunda-feira, mas apresentou atestado médico de quatro dias e a data teve de ser revista.

A PF também está atrás do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso para que preste um segundo depoimento. Ontem, Mattoso não foi encontrado em Brasília.

O ex-ministro deveria ter deposto na manhã de ontem. No entanto, na última quinta-feira, seu advogado, José Roberto Leal, pediu o adiamento ao delegado que preside o inquérito, Rodrigo Carneiro Gomes, alegando que Palocci estaria com problemas de saúde. Mas, apesar de ter até a manhã de ontem para apresentar o atestado médico, nem Leal nem Palocci o fizeram a tempo - o que levou o ministro a ser intimado formalmente pela segunda vez.

Para a polícia, consta que Palocci faltou ao primeiro depoimento. Se faltar ao novo depoimento marcado e tiver que ser chamado uma terceira vez, terá que ser usado um mandado de condução coercitiva, ou seja, o ministro será levado a depor por força policial. A PF, no entanto, não acredita que se chegue a tanto. Ao contrário, especula-se que Palocci pode ir depor antes da quarta-feira.

A PF aguarda as declarações de Palocci para tentar fechar as duas pontas da história que levou à quebra ilegal do sigilo do caseiro. O delegado quer saber do ex-ministro quem acionou a Caixa para que se mexesse na conta de Nildo e como se sabia que o ele era cliente do banco. Em seu depoimento, Mattoso disse que entregou a Palocci os extratos da conta. Gomes quer saber se foi o ex-ministro quem fez o pedido.

A outra ponta no caso também está nas mãos de Palocci. Se recebeu diretamente de Mattoso os extratos, o ex-ministro terá que explicar o que fez com os dados. Principalmente, como cópias dos extratos foram parar com jornalistas da revista Época.

Até agora, a investigação chegou à forma com que o sigilo foi violado e o caminho que seguiu até o ex-ministro.

Esta semana, dois técnicos da Caixa disseram ao delegado que ouviram de Mattoso - o único indiciado até agora - que jornalistas já haviam tido acesso aos extratos. Por isso, o ex-presidente da Caixa havia pedido que os dois encaminhassem os dados ao sistema de informações do Banco Central (Sisbacen) e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que investigam movimentações financeiras irregulares, antes do vazamento. Gomes quer saber como Mattoso sabia de antemão do vazamento.

Em depoimento na última segunda-feira, Mattoso disse que pediu aos técnicos que comunicassem ao Coaf e ao Sisbacen a movimentação financeira de Nildo, mas não cita que sabia de possível vazamento para a imprensa.