Título: Emprego e salários crescem
Autor: Jacqueline Farid
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/04/2006, Economia & Negócios, p. B6

Melhora registrada na indústria ainda é tímida e ocorre após 4 meses seguidos de queda

O mercado de trabalho industrial começou a responder, ainda timidamente, ao recente aquecimento da atividade do setor. Em fevereiro, houve aumento de 0,5% no número de ocupados na indústria em relação a janeiro. Foi o primeiro crescimento na comparação com o mês anterior após quatro meses de queda. Na mesma base de comparação, a massa salarial (folha de pagamento real) do setor cresceu 2,4%.

Isabella Nunes, economista da coordenação de indústria do IBGE, observou que o emprego e salário na indústria, que mostraram desaceleração no ano passado, respondendo à perda de ritmo na atividade do setor no período, começaram a refletir agora o reaquecimento da economia que vem ocorrendo desde dezembro de 2005.

Ela disse que o emprego sempre responde com alguma defasagem aos sinais da produção, como está ocorrendo neste início de ano. Na comparação com fevereiro de 2005, a ocupação na indústria recuou 0,8%, mas segundo Isabella o dado reflete sobretudo uma base de comparação elevada e não invalida o diagnóstico de recuperação. Prova disso é que o índice de média móvel trimestral, considerado o principal indicador de tendência, interrompeu a trajetória de queda e registrou estabilidade no trimestre encerrado em fevereiro.

Isabella explica que o ano de 2005 começou aquecido para o mercado de trabalho industrial, que refletia então os fortes dados da indústria em 2004. Por isso, a base de comparação alta afeta os dados deste início de ano. No primeiro bimestre de 2006, houve queda na ocupação de 1,1% ante igual período do ano passado, mas a economista do IBGE alerta que os dados ante o mês anterior são mais importantes para avaliar o cenário no momento.

RECUPERAÇÃO "O movimento do emprego já mostra uma resposta à recuperação da atividade", disse. Para Isabella, as perspectivas para o mercado de trabalho industrial são positivas, como mostram dados das horas trabalhadas do próprio IBGE e a Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada ontem. O número de horas pagas cresceu 2% em fevereiro ante janeiro.

Isabella lembra que os empresários primeiro aumentam as horas pagas, antes da contratação de novos funcionários. Nesse caso, também o índice de média móvel trimestral é positivo, com expansão de 0,2% entre os trimestres encerrados em janeiro e fevereiro.

A sondagem da FGV mostrou otimismo dos empresários e, segundo Isabella, a confiança é o primeiro passo para a decisão de abertura de vagas. Das 491 empresas consultadas pela instituição, 54% prevêem melhora da situação dos negócios nos próximos seis meses e o grau de otimismo da indústria é o maior desde janeiro de 2005.

Isabella ressaltou como ponto preocupante da ocupação industrial o fato de que os setores que vêm se destacando nas exportações, como alimentos e bebidas, estão puxando o emprego, enquanto os que vêm perdendo rapidamente espaço nos mercados externo e interno, como calçados lideram os cortes.

Os dados da folha de pagamento da indústria foram "inflados" em fevereiro pelo pagamento de benefícios como 14º salário nos setores de petróleo e mineração.