Título: BNDES avisa que o critério será técnico
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/04/2006, Economia & Negócios, p. B1,3,4

Novo presidente do banco não confirma nem desmente ajuda

Um eventual socorro financeiro à Varig será decidido a partir de uma análise estritamente técnica que observe as regras de prudência bancária. Foi o que afirmou o novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Demian Fiocca, após sua cerimônia de posse, no Ministério do Desenvolvimento. Ele não confirmou nem desmentiu se poderá ocorrer um aporte de recursos. "O BNDES não se pronuncia sobre questões que estão em conversação", afirmou.

Mas ele deu indicações sobre como um pedido de ajuda seria tratado.

Fiocca lembrou que, recentemente, o governo federal e o BNDES apoiaram "fortemente" uma operação com a Varig, ao viabilizar a venda da subsidiária VEM para a portuguesa TAP e a da VarigLog para um consórcio liderado pelo fundo americano Matlin Patterson.

A operação, frisou, foi feita de forma a preservar o banco do risco de crédito. "O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social não emprestou para a Varig. Pôde facilitar o empréstimo ao comprador, para que o comprador pudesse desembolsar à Varig", esclareceu. "Esse foi o tratamento que demos àquela época, e se viermos a enfrentar de novo essa questão, vamos dar o mesmo tratamento técnico".

Questionado se o Palácio do Planalto havia pedido ou pressionado no sentido de dar um tratamento especial à Varig, ele respondeu que o tratamento será técnico. Fiocca ressaltou, no entanto, que "de um modo geral, o governo entende que sempre que puder, é importante contribuir para que setores em dificuldades não enfrentem crises maiores".

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também foi questionado sobre um eventual socorro à companhia aérea. "Se a Varig está pensando em dinheiro do BNDES, tem de se dirigir ao BNDES, e não ao Ministério da Fazenda. Não é de minha competência", disse.