Título: Petista é alvo de mais uma acusação de extorsão
Autor: Denise Madueño
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/04/2006, Nacional, p. A5

O Ministério Público Federal examina outra denúncia que cita o deputado José Mentor (PT-SP) em suposto esquema de extorsão para não incluir um empresário do bingo e ex-banqueiro paranaense no relatório da CPI do Banestado - da qual o petista foi relator. Procuradores estão de posse de gravação telefônica na qual o nome de Mentor é mencionado como destinatário do dinheiro exigido (R$ 50 mil).

A interceptação, enviada à Procuradoria-Geral da República, consta de processo contra o advogado Roberto Bertholdo, na 2.ª Vara Criminal Federal de Curitiba. Denunciado por tráfico de influência, Bertholdo teria citado Mentor em conversa com o empresário Luiz Antonio Scarpin, em 2003.

Scarpin estaria preocupado com a possível inclusão de seu nome no documento da CPI. Bertholdo teria dito que Mentor poderia vetar a convocação do empresário. Segundo o MPF, foi sugerido a Scarpin que pagasse R$ 50 mil para se livrar da comissão. Em março, o advogado foi condenado a cinco anos de prisão, acusado de grampear os telefones do juiz federal Sérgio Moro.

O MPF propôs ação penal contra Bertholdo por tráfico de influência. O deputado não é apontado na denúncia. A apuração relativa a ele foi enviada a Brasília por causa da competência legal sobre o caso, que é do Supremo Tribunal Federal. A conversa teria sido gravada por Scarpin, e a fita foi localizada na casa de Bertholdo. O empresário teria sido sócio de Afonso Celso Braga no Banco Integración, instituição financeira paraguaia que foi utilizada nas remessas de divisas via contas CC-5 entre 1996 e 2000 - por esse motivo, Scarpin poderia ser citado na CPI do Banestado.

José Roberto Batochio, advogado de Bertholdo, disse que seu cliente não tem envolvimento no caso. O deputado Mentor reagiu à acusação. "Estavam usando o meu nome", declarou. Ele afirmou ter enviado ofício ao Ministério da Justiça, em 2004, pedindo providências com relação às acusações sobre exigência de valores em nome da CPI. Para o petista, o fato de Bertholdo citar seu nome "não tem importância alguma" . Lembrou ainda que é testemunha de acusação do advogado na Justiça Federal.

"A CPI não protegeu ninguém", acentuou. "Não recebi qualquer valor. Nós conseguimos o sigilo internacional da conta Beacon Hill, a conta dos doleiros em Nova York, e documentos autenticados por proposta minha, mostrando as movimentações dos doleiros. A CPI quebrou o sigilo de todos eles por requerimento meu. Essas denúncias são muito estranhas."