Título: Crise política nã cede. Mas otimismo volta às empresas
Autor: Marcelo Rehder
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/04/2006, Economia & Negócios, p. B1,3
O otimismo está de volta entre as empresas, tanto em relação aos próprios negócios quanto às perspectivas para a economia como um todo neste e no próximo ano.
É o que mostra uma pesquisa inédita da Serasa, que ouviu 960 empresas de diferentes setores em todo o País. Desse total, 65% estão convencidas de que o faturamento de suas empresas deve aumentar em relação a 2005, enquanto 25% esperam repetir o mesmo desempenho do ano passado. Somente 10% acreditam na possibilidade de queda no faturamento.
A perspectiva de crescimento de vendas é maior nas indústrias. Nada menos do que 70% dos empresários do setor esperam faturar mais este ano. Nos serviços, essa proporção é de 65% e no comércio, de 61%.
O otimismo dos empresários chama a atenção por causa do período em que a pesquisa foi feita. Segundo a Serasa, os questionários foram respondidos entre os dias 6 e 15 de março, auge da crise que culminou com a queda do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
"Trata-se de uma demonstração clara de que as empresas têm conseguido separar de uma maneira importante as coisas políticas dos seus negócios", afirma Elcio Anibal de Lucca, presidente da Serasa. "É óbvio que, se continuar a situação de insegurança em relação à instabilidade política, no longo prazo isso vai repercutir na economia. Mas no curto, não."
Quase metade dos entrevistados (49%) espera que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresente em 2006 taxa de crescimento maior do que a do ano passado - em 2005, a expansão foi de apenas 2,3%.
Outros 31% acham que o desempenho será igual ao de 2005 e 19% avaliam que a possibilidade é de encolhimento. As expectativas para o próximo ano são ainda melhores: 53% das empresas acham que a economia vai crescer mais do que neste ano e 32% prevêem que ficará estável.
Outra boa notícia é que a perspectiva das empresas é de manutenção e até de crescimento dos investimentos. A maioria dos entrevistados (51%) afirmou que os investimentos ficarão estáveis em relação a 2005. Mas outros 36% disseram que vão investir mais este ano. Só 13% das empresas deverão investir menos.
"A idéia da pesquisa é mostrar o que pensam os empresários", conta De Lucca. Ele argumenta que a experiência de se apurar a perspectiva empresarial mostra que as tendências identificadas são referências importantes para a antevisão dos eventos econômicos e seus efeitos no mercado.
"O que os empresários pensam é o que vai acontecer mesmo. Só não acontece se surgirem variáveis muito graves. Curiosamente, algumas dessas variáveis têm aparecido, mas isso não afetou o desempenho da economia", diz De Lucca.
A pesquisa de perspectiva empresarial passará a ser divulgada trimestralmente pela Serasa.