Título: "Renúncia foi inoportuna e demagógica", diz Izar
Autor: Denise Madueño
Fonte: O Estado de São Paulo, 08/04/2006, Nacional, p. A6

Ricardo Izar, presidente do Conselho de Ética

Um dia depois da debandada de deputados do Conselho de Ética da Câmara em protesto contra a série de absolvições de parlamentares acusados de envolvimento no mensalão, o presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), classificou a renúncia dos conselheiros de "inoportuna e demagógica". Izar acredita, no entanto, que apenas três ou quatro titulares que anunciaram suas renúncias vão concretizá-las. O presidente do conselho afirmou que concorda com o deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), relator do pedido de cassação do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), que há uma frouxidão moral e acusa essa legislatura, como é chamado o período de quatro anos de mandato, de ser a pior e a mais despreparada. Depois das renúncias, o que o senhor pretende fazer? Está tudo em ordem. Já estou encaminhando os ofícios para que os líderes do PT e do PPS indiquem os substitutos, com a saída dos dois do PSOL e do Júlio Delgado (PSB-MG). Vou escolher o relator do caso de José Janene (PP-PR) na próxima terça-feira entre os conselheiros que estão lá. Quero pegar gente experiente. Não vou dar a relatoria para os novos que vão entrar. Estou consultando a Ann Pontes (PMDB-PE), o Jairo Carneiro (PFL-BA) e o Nelson Trad (PMDB-MS). (Será escolhido um novo relator para o processo de Janene, porque a relatora Ângela Guadagnin, do PT, foi afastada do colegiado por causa da chamada dança da pizza). Na segunda-feira vou fazer uma declaração à imprensa para explicar o nosso trabalho e o que vamos fazer daqui para frente. Essas renúncias foram inoportunas. Por que inoportunas? Foram inoportunas. Nós fomos eleitos. Eu vou até o final. Nós estamos dando uma satisfação à sociedade. O povo está sabendo o que está acontecendo no Conselho de Ética. Quem errou foi o plenário. Estamos todos indignados. Não havia necessidade para a renúncia. Quem está desgastado é o plenário. O conselho não errou. A renúncia foi inoportuna e demagógica. O senhor também não sentiu vontade de renunciar? E u fiquei muito indignado e triste. Nos empenhamos tanto! Estamos trabalhando numa causa. A gente se empenha, não dorme, não come. O relator Cezar Schirmer (que pediu a cassação de João Paulo Cunha) trabalhou sábados e domingos para nada? Há uma frouxidão moral, como disse o deputado Cezar Schirmer? Concordo integralmente com Schirmer. Não se analisa o aspecto moral. É só uma questão de agradar a um ou a outro, defender um ou outro interesse pessoal. Estou há 19 anos (no parlamento) e essa é a pior legislatura, porque há um despreparo dos parlamentares. Muitos foram eleitos por grupos e não por partidos, por igrejas, por setores e não estão preparados para o Legislativo. Veja o Enéas (deputado do Prona). Ele elegeu seis deputados, alguns com 300 votos. Teve também a febre vermelha, elegendo deputados do PT despreparados. Essa é a pior legislatura em termos de preparo, até democrático, cultural. Tem deputado que não entende o que é o Poder Legislativo. O deputado Wanderval Santos (PL), por exemplo, ficou fazendo emendas no orçamento para Paraíba e Rondônia, mas ele é de São Paulo. (O conselho pediu a cassação do mandato de Wanderval, mas o plenário o absolveu). Tem gente muito boa, mas a renovação foi a pior. Daqui para frente, não haverá mais condenação? Daqui para frente tudo continua da mesma maneira. O plenário vai prestar mais atenção em cada processo. A reação popular foi muito grande. Eu desci no aeroporto ontem (quinta-feira) e uma mulher pediu para me dar um beijo. Ela disse que a esperança dela era o Conselho de Ética e que o resto era o resto. E no conselho? O que o senhor espera dos novos que serão indicados pelos líderes? Espero que seja gente competente e séria, mais nada. Que estudem a matéria. Espero que votem com a consciência e não com o partido. D.M.

Um dia depois da debandada de deputados do Conselho de Ética da Câmara em protesto contra a série de absolvições de parlamentares acusados de envolvimento no mensalão, o presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), classificou a renúncia dos conselheiros de "inoportuna e demagógica". Izar acredita, no entanto, que apenas três ou quatro titulares que anunciaram suas renúncias vão concretizá-las.

O presidente do conselho afirmou que concorda com o deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), relator do pedido de cassação do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), que há uma frouxidão moral e acusa essa legislatura, como é chamado o período de quatro anos de mandato, de ser a pior e a mais despreparada.

Depois das renúncias, o que o senhor pretende fazer?

Está tudo em ordem. Já estou encaminhando os ofícios para que os líderes do PT e do PPS indiquem os substitutos, com a saída dos dois do PSOL e do Júlio Delgado (PSB-MG). Vou escolher o relator do caso de José Janene (PP-PR) na próxima terça-feira entre os conselheiros que estão lá. Quero pegar gente experiente. Não vou dar a relatoria para os novos que vão entrar. Estou consultando a Ann Pontes (PMDB-PE), o Jairo Carneiro (PFL-BA) e o Nelson Trad (PMDB-MS). (Será escolhido um novo relator para o processo de Janene, porque a relatora Ângela Guadagnin, do PT, foi afastada do colegiado por causa da chamada dança da pizza). Na segunda-feira vou fazer uma declaração à imprensa para explicar o nosso trabalho e o que vamos fazer daqui para frente. Essas renúncias foram inoportunas.

Por que inoportunas?

Foram inoportunas. Nós fomos eleitos. Eu vou até o final. Nós estamos dando uma satisfação à sociedade. O povo está sabendo o que está acontecendo no Conselho de Ética. Quem errou foi o plenário. Estamos todos indignados. Não havia necessidade para a renúncia. Quem está desgastado é o plenário. O conselho não errou. A renúncia foi inoportuna e demagógica.

O senhor também não sentiu vontade de renunciar?

Eu fiquei muito indignado e triste. Nos empenhamos tanto! Estamos trabalhando numa causa. A gente se empenha, não dorme, não come. O relator Cezar Schirmer (que pediu a cassação de João Paulo Cunha) trabalhou sábados e domingos para nada?

Há uma frouxidão moral, como disse o deputado Cezar Schirmer?

Concordo integralmente com Schirmer. Não se analisa o aspecto moral. É só uma questão de agradar a um ou a outro, defender um ou outro interesse pessoal. Estou há 19 anos (no parlamento) e essa é a pior legislatura, porque há um despreparo dos parlamentares. Muitos foram eleitos por grupos e não por partidos, por igrejas, por setores e não estão preparados para o Legislativo. Veja o Enéas (deputado do Prona). Ele elegeu seis deputados, alguns com 300 votos. Teve também a febre vermelha, elegendo deputados do PT despreparados. Essa é a pior legislatura em termos de preparo, até democrático, cultural. Tem deputado que não entende o que é o Poder Legislativo. O deputado Wanderval Santos (PL), por exemplo, ficou fazendo emendas no orçamento para Paraíba e Rondônia, mas ele é de São Paulo. (O conselho pediu a cassação do mandato de Wanderval, mas o plenário o absolveu). Tem gente muito boa, mas a renovação foi a pior.

Daqui para frente, não haverá mais condenação?

Daqui para frente tudo continua da mesma maneira. O plenário vai prestar mais atenção em cada processo. A reação popular foi muito grande. Eu desci no aeroporto ontem (quinta-feira) e uma mulher pediu para me dar um beijo. Ela disse que a esperança dela era o Conselho de Ética e que o resto era o resto.

E no conselho? O que o senhor espera dos novos que serão indicados pelos líderes?

Espero que seja gente competente e séria, mais nada. Que estudem a matéria. Espero que votem com a consciência e não com o partido.