Título: Varig atrai interesse de TAM e Gol
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 05/05/2006, Economia & Negócios, p. B19
Pelo menos três companhias aéreas nacionais - TAM, Gol e a Ocean Air - já estão se movimentando e foram ao BNDES buscar informações e sondar sobre a possível venda da parte doméstica da Varig, em leilão. Caso a alternativa venha a ser aprovada na assembléia de credores da companhia, segunda-feira, o banco poderá financiar interessados em adquirir a parte doméstica da empresa e fazer um empréstimo-ponte, antecipando recursos.
A ida ao banco foi confirmada por três fontes que acompanham o assunto. O BNDES não comentou a informação. Mas segundo as mesmas fontes ,o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, esteve na semana passada no banco, acompanhado do executivo da área financeira. O principal executivo da Gol, Constantino Junior, também foi inteirar-se sobre a alternativa que está sendo preparada pelo governo.
Na última quarta-feira, foi a vez de o embaixador Jório Dauster, membro do Conselho Consultivo do Grupo Synergy, reunir-se no banco. O grupo engloba empresas aéreas em quatro países (Ocean Air, a colombiana Avianca, a equatoriana Vipsa e a peruana Wyara), além de negócios em petróleo e estaleiro naval. "Estivemos lá. Temos interesse em analisar o que está sendo colocado na mesa. Obviamente, há muita coisa que ainda está sendo modelada", disse Dauster ao Estado, afirmando que o grupo já fez proposta pela Varig e quer crescer.
Os empresários não assumiram, necessariamente, compromisso de participar do negócio, dizem as fontes. O quadro hoje é diferente do cenário de abril, quando havia risco de paralisação da Varig, o que forçaria os concorrentes a executarem planos de contingência e herdar rotas, diz um analista.
Agora, com o chamado Plano B, a perspectiva é de uma saída via solução de mercado, com injeção de recursos. Haveria um leilão programado e os interessados teriam de investir no negócio.
"As empresas, principalmente as duas maiores, se acostumaram com a idéia de que a Varig ia acabar, até surgir a idéia de separar a empresa em duas (doméstica e internacional)", disse um executivo que trabalha no setor há três décadas.
A TAM informou que é cliente do BNDES e que, portanto, vai sempre ao banco para atualizar suas linhas e discutir negócios. A Gol não retornou as ligações da reportagem. Ontem, uma versão dava conta de que a BRA teria feito contato telefônico com o banco, mas a empresa não quis comentar.
A participação de uma companhia aérea regular no consórcio que venha a disputar a Varig doméstica foi uma condição imposta pelo governo para facilitar a transferência de rotas e concessões. Do contrário, uma nova empresa levaria meses para se registrar.
Já há um consórcio se estruturando para disputar o negócio, caso venha a se concretizar, a ASM Asset Management. No início da semana, a Alvarez&Marsal, que reestrutura a Varig, informou que há três interessados com possibilidade de fazer oferta pela empresa.