Título: Dilma insiste que não haverá socorro
Autor: Isabel Sobral
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/04/2006, Economia & Negócios, p. B20,21

Ministra critica gestão da Varig e diz que governo não dará dinheiro

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi categórica e afirmou ontem que governo mantém sua posição: não irá colocar dinheiro público para socorrer a Varig, não vai permitir que a Infraero deixe de cobrar as dívidas e tampouco autorizar a BR Distribuidora a conceder um prazo maior para o pagamento de combustíveis. Dilma lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disse que o governo não irá colocar dinheiro público na Varig "para ficar dando fôlego" à empresa.

Segundo a ministra, se o governo colocar dinheiro na companhia estará apenas aprofundando o problema. "Não é de graça que temos uma dívida de R$ 8,5 bilhões e um déficit projetado pela própria empresa de R$ 1 bilhão, somente este ano. Isto não pode continuar", disse, pouco antes de enfrentar um protesto de empregados da Varig, em Porto Alegre.

Em um tom firme, a ministra descartou todas as reivindicações apresentadas pela empresa. Avisou que o governo "não pode fazer generosidade com dinheiro público" ao afastar a possibilidade de a Infraero não cobrar pelos vôos e decolagens de aeronaves ou a dispensa de pagamento na compra de combustíveis da BR Distribuidora. "Por que não pedem isso para a Shell, que é responsável por 25% do combustível que ela consome?", provocou Dilma.

A ministra se mostrou pessimista em relação à possibilidade de ajuda à empresa. Ela disse que o governo "já ajuda" a Varig, na medida em que é o maior credor da empresa e também não está cobrando dívidas antigas. "Nós gostaríamos que a Varig se recuperasse e estamos fazendo a nossa parte sem cobrar a dívida antiga", disse Dilma.

Segundo a ministra, o governo quer preservar a marca da Varig e o maior número de empregos possível. Estaria empenhado em dar condições para a empresa se manter. "Mas isso não pode significar botar dinheiro para afundar o dinheiro", disse. Dilma afirmou ainda que o governo se empenhou em assegurar as condições de recuperação, mas esbarrou em uma "impenetrável barreira", a Fundação Rubem Berta e os seus problemas de gestão.

Dilma insistiu que qualquer que seja a forma de tentar financiar a empresa só pode ser implementada se houver a apresentação de garantias regais. "Mas isso não pode significar abrir mais um buraco", disse. " A BR só fornecerá combustíveis se derem garantias."