Título: Tensão no Irã puxa cotação recorde
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Fonte: O Estado de São Paulo, 22/04/2006, Economia & Negócios, p. B3
Guerrilha na Nigéria e ação de especuladores também são apontadas como causa pela alta de 2% ontem em NY
Pela primeira vez na história, o petróleo rompeu a barreira psicológica dos US$ 75 por barril, impulsionado pelas tensões geopolíticas, principalmente no Irã, e pela especulação dos investidores. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), os contratos de petróleo para junho fecharam a US$ 75,17 o barril, alta de 2%. Em Londres, no sistema eletrônico da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para junho fecharam em US$ 74,57 o barril, ganho de 1,9%. O produto está cerca de 40% mais caro do que há um ano.
Segundo os analistas, a crise entre Estados Unidos e Irã, o quarto maior exportador mundial de petróleo, e a guerrilha na Nigéria, o quinto maior fornecedor do produto para o mercado americano, estão pressionando as cotações e os investidores, principalmente os fundos de pensão, aproveitam para lucrar. "Você põe todas essas manchetes juntas, você vê que a situação está pesada e fora de controle; essa é a razão pela qual operadores e especuladores tiveram um dia de manobras - este é exatamente o tipo de ambiente onde os especuladores querem operar", explicou Fadel Gheit, especialista em mercado de petróleo da empresa de assessoria econômica Oppenheimer.
Os especialistas se dividem sobre o peso de cada fator no preço. Para alguns, as questões geopolíticas são as principais responsáveis pela disparada. Segundo Ehsan Ul-Haq, analista da empresa de consultoria especializada PVM, "a percepção generalizada é de que o conflito com o Irã vai continuar, de que a situação na Nigéria vai perdurar pelo menos até as eleições presidenciais do próximo ano, pois após o pleito não se sabe o que acontecerá, e de que o Iraque também continuará com problemas".
Ele também declarou que o surgimento do movimento de "nacionalização de recursos" na América Latina é outro fator que traz inquietação ao setor e que contribui para a disparada.
Para Ul-Haq, o que está mais claro é que o abastecimento mundial de energia depende cada vez mais de regiões instáveis, o que não incentiva os grandes investimentos no setor, necessários para garantir o abastecimento futuro.
Já o analista Richard Savage, do Banc of America, põe mais culpa nos especuladores. Segundo ele, os fundos de investimentos estão testando qual será o teto dos preços. "Não houve nenhuma interrupção significativa no fornecimento. A questão-chave é que os preços altos não estão relacionados aos fundamentos econômicos. O mercado parece que está tentando encontrar seu limite."
EQUADOR
Os Estados Unidos criticaram lei equatoriana que modifica a divisão de lucros da venda de petróleo entre o Estado e as petroleiras estrangeiras. A porta-voz da embaixada americana em Quito, Marti Estell, acusou ontem a lei de violar os acordos de investimento. "Estamos muito preocupados. As medidas foram impostas de forma unilateral."
Pela nova lei, aprovada esta semana pelo Congresso, metade dos lucros extraordinários das empresas estrangeiras deve ir para o Estado.
Entretanto Marti elogiou o fato de o governo ter começado a a negociar com as petroleiras.REUTERS, AP, AFP , EFE
Barril caro é uma ameaça à economia mundial, alerta G-7 Os ministros das Finanças dos sete países mais industrializados do mundo (G-7), advertiram ontem sobre os riscos que a disparada do petróleo representa para a economia. "O forte crescimento econômico mundial continua em seu quarto ano e as perspectivas são favoráveis", afirmaram os representantes dos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Itália e Japão em um comunicado divulgado após o encontro.
"Entretanto existem riscos relacionados à evolução dos mercados de petróleo, aos desequilíbrios mundiais e ao crescente protecionismo", ressaltaram os ministros.
Eles aconselharam que é preciso aumentar a produção de petróleo, com mais investimentos na exploração de petróleo, na produção, na infra-estrutura e na capacidade de refino, pois esses são projetos cruciais. "Precisamos melhorar o equilíbrio entre a oferta e a demanda", conclamaram.
Os ministros estão em Washington para participar da Reunião de Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial.