Título: Alvo agora é civil: facção vai atacar o poder econômico
Autor: Marcelo Godoy ... [et al.]
Fonte: O Estado de São Paulo, 15/05/2006, Metrópole, p. C1

O PCC pretende atacar o poder econômico de São Paulo. A estratégia dos bandidos foi revelada ontem pelo delegado Godofredo Bittencourt Filho, diretor do Departamento Estadual de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). De fato, já ontem, os bandidos incendiaram 28 ônibus na capital, atacaram duas agências bancárias e um posto de gasolina. No começo da noite a polícia reforçou o policiamento da Rua Boa Vista, no centro de São Paulo, que concentra algumas das maiores agências bancárias da cidade.

"Faz parte da estratégia de guerra deles para desequilibrar o Estado e abalar a sociedade. Eles até se justificam alegando uma insatisfação social por causa de pessoas importantes que roubam e não são presas", disse Bittencourt.

A área de inteligência do Deic detectou essa mudança de alvo por parte do PCC. No começo, os ataques foram direcionados contra bases da polícia e seus homens.

A partir de ontem, os bandidos passaram a atacar o Judiciário e o transporte público. Assim, incendiaram 28 ônibus, muitos dos quais queimados depois serem assaltados pelos criminosos. A onda de ataques começou à tarde.

Na mesma hora, os bandidos metralharam uma agência do Bradesco em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. No começo da noite, os criminosos jogaram uma bomba em uma agência bancária na Rua do Tesouro, em Taboão da Serra. "Como nós nos preparamos para enfrentá-los, eles decidiram agir em lugares distantes da polícia, daí porque apanharam ônibus na periferia", disse o coronel Eliseu Eclair, comandante-geral da PM.

Os bandidos ameaçam atacar outros alvos hoje, além de continuarem a fustigar a polícia. "Apesar dos alvos civis escolhidos, eles não vão atacar o povo. Não é esse o plano", disse o delegado. De fato. Quando incendiaram os ônibus, os bandidos mandaram os passageiros descer primeiro.

Apesar dessa mudança de qualidade da ação do crime organizado, os chefes da polícia ainda relutam em chamar de terrorismo os atos praticados pelos criminosos. "Falta o caráter político", disse o coronel Eclair. "Mas nós vamos quebrar as pernas deles", disse Bittencourt.