Título: Bolsa ultrapassa os 40 mil pontos
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/04/2006, Economia & Negócios, p. B16

Superávit primário recorde em março e inflação baixa levam o Ibovespa a bater o 19.º recorde do ano

O Ibovespa fechou pela primeira vez acima dos 40 mil pontos (40.422), no 19.º recorde do ano, em alta de 1,69% e com giro de R$ 2,939 bilhões. O resultado foi puxado pelo bom superávit primário no primeiro trimestre, pela inflação baixa e pela calma no cenário externo. O dólar pronto fechou em queda de 0,42% para R$ 2,118 na roda da BM&F e na cotação mínima (a mesma) no balcão, enquanto os juros futuros projetaram queda. O risco país recuou 2,19%, para 223 pontos, e o A-Bond ganhou 0,09%, vendido com ágio de 7,85%.

Os juros dos títulos do Tesouro americano subiram, mas as Bolsas não deram importância. Em Wall Street, o Dow Jones avançou 0,63%, a Nasdaq 0,14% e o S&P 500, 0,28%. O Livro Bege mostrou que a economia americana está sólida, mas indicou que o risco inflacionário não parece iminente. "O mercado está se acostumando com a idéia de um juro básico de 5% ao ano nos Estados Unidos. O mercado assimila os fatos e coloca as expectativas no preço", comentou um operador.

Com o cenário externo menos tenso, a Bolsa paulista dedicou a atenção à economia brasileira. O superávit primário de 4,39% do PIB, acima da meta de 4,25%, tranqüilizou os investidores. "Para quem estava temendo um desajuste na questão fiscal, esse resultado veio para acalmar os ânimos", disse outro operador.

O destaque do pregão foi Telemar, cuja ação ordinária teve a maior valorização, 7,56%. O mercado está apostando no sucesso da reorganização societária da companhia. Hoje sai o seu balanço, e espera-se um lucro 20% maior que no primeiro trimestre de 2005.

No mercado cambial, a expectativa do ingresso de cerca de US$ 500 milhões até terça-feira, relativos a ofertas públicas de ações de várias empresas, levou algumas tesourarias de bancos a antecipar a oferta de moeda americana. E já se fala de uma nova emissão soberana.