Título: 'Sintonia com Mantega vai bem'
Autor: Thiago Velloso, André Palhano
Fonte: O Estado de São Paulo, 29/04/2006, Economia & Negócios, p. B4
Henrique Meirelles acha normais declarações do ministro da Fazenda e ressalta ambiente de cooperação
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ontem estar tranqüilo em relação às declarações de anteontem do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "São declarações normais, estamos todos procurando chegar exatamente nas melhores condições possíveis para o Brasil: a inflação na meta, o País crescendo e criando o máximo de empregos possível", disse. Ressaltou que "a sintonia e a facilidade de trabalho entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central está indo muito bem".
O ministro afirmou na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que "dados concretos" demonstram que a inflação está sob controle e disse aos empresários para ficarem tranqüilos porque, "com certeza, continuará havendo redução de juros". Para Mantega, os textos da ata do Copom "nunca são explícitos. Ele considera, ainda, "muito conservadora" a projeção da Selic de 15,2% para o final do ano.
Meirelles, em palestra para associados do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef), destacou que não há qualquer problema na sua relação com Mantega. "Temos tido conversas produtivas, boas, excelentes e, portanto, é um ambiente de cooperação e debates." Divergências, garantiu, fazem parte do trabalho. "Muitas vezes a discussão é absolutamente legítima, positiva. Achei as declarações absolutamente equilibradas, expressando opiniões absolutamente razoáveis e legítimas."
Meirelles reiterou que o BC continuará a exercer o controle da inflação. "Evidentemente, o Banco Central faz seu trabalho normalmente, assume sua responsabilidade, delegada pelo Conselho Monetário Nacional e pelo presidente da República: manter a inflação na meta." Ele negou ter feito qualquer queixa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Não tive a oportunidade de conversar com o presidente nas últimas 48 horas."
Sobre o crescimento do País que, segundo Mantega, pode chegar a 4,5% ou 5%, Meirelles respondeu apenas que "torcemos para que o País possa crescer o máximo possível".
Meirelles disse também que a ata do Copom é, por definição, auto-explicativa. "Não é figura de retórica afirmar isso. Cada ponto da ata é redigido e discutido de maneira ampla para que o documento seja auto-explicativo. Se na ata existe incerteza sobre um assunto xis, é porque existe incerteza sobre o assunto xis", enfatizou . "Se não existe uma informação lá, que alguns gostariam de ver, é porque o Copom ainda não decidiu ou não tem essa informação. Tudo aquilo que o Copom julgou relevante está dito na ata."