Título: PT informa ao TSE dívida de R$ 28,4 milhões
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/05/2006, Nacional, p. A9
Valor não inclui R$ 55 milhões cobrados por Valério e engloba saldo positivo com campanhas
Na primeira prestação de contas oficial ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde a eclosão da crise do mensalão, o Partido dos Trabalhadores (PT) apresentou um balanço patrimonial de 2005 em que, mesmo não reconhecendo R$ 55 milhões dos empréstimos cobrados pelo empresário Marcos Valério de Souza, expõe uma situação financeira dramática, com R$ 28,4 milhões em déficits acumulados. Ironicamente, o balanço relativo exclusivamente às campanhas apresenta saldo positivo; ao contrário das anunciadas dívidas de campanha, nessa atividade específica foi apurada sobra de R$ 111,34.
Os déficits decorrem principalmente de dívidas com fornecedores, que somam R$ 17,1 milhões, e de débitos com o sistema financeiro, no valor de R$ 14,1 milhões. O partido declara ainda dívidas de origem trabalhista e fiscal no montante de R$ 2 milhões, além de R$ 6,9 milhões decorrentes de "arrendamento mercantil".
De acordo com o advogado Márcio Luiz Silva, representante nacional do PT junto ao TSE, o partido está questionando na Justiça a dívida de R$ 55 milhões reclamada por Valério. O empresário mineiro alega ter contraído - a pedido do ex-tesoureiro Delúbio Soares e por meio de suas agências de publicidade - vários empréstimos junto ao Banco Rural e ao BMG, entre 2003 e 2004, para quitar dívidas de campanha do PT.
Como não são reconhecidos pelo Diretório Nacional, esses débitos não foram incluídos no balanço de 2005. Se considerados, o patrimônio líquido negativo do PT pularia para R$ 83,4 milhões - valor 4,5 vezes maior do que todo o ativo declarado pelo partido.
A apresentação do balanço obedece a uma exigência da Lei Eleitoral. No documento, assinado pelo presidente da sigla, Ricardo Berzoini, e pelo tesoureiro, Paulo Ferreira, é informado que o PT possuía, ao final de 2005, R$ 889 mil disponíveis em caixa ou no banco.
A maior parte dos ativos é constituído de bens móveis, como equipamentos de informática, no valor de R$ 19,2 milhões em valores brutos.
O partido também apresenta uma pendência no valor de R$ 408 mil referente ao repasse do fundo partidário - verba pública destinada à manutenção partidária e aos diretórios regionais -, além de um crédito de R$ 346 mil em favor de ex-candidatos da sigla.