Título: Câmbio não muda, garante Lula
Autor: Lisandra Paraguassú
Fonte: O Estado de São Paulo, 24/05/2006, Economia & Negócios, p. B1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ontem que não haverá mudanças no câmbio nem na política fiscal. "O câmbio continuará flutuante", disse Lula, ao encerrar a visita a um trecho na Ferrovia Norte-Sul, em Aguiarnópolis (TO). O presidente afirmou que a economia brasileira está "tranqüila" e creditou a alta de 3,67% no dólar, a maior variação desde 26 de maio de 2003, e a queda na bolsa, anteontem, a turbulências externas.

"Há uma turbulência no mundo inteiro por conta dos anúncios do banco central americano, mas eu estou convencido que a economia brasileira está tranqüila", afirmou. "Nós temos reservas, nós temos uma tranqüilidade na parte econômica." Lula negou que vá haver quaisquer alterações na política econômica, seja por causa das turbulências externas ou do ano eleitoral: "Enganam-se aqueles que pensam que vamos abrir mão da nossa responsabilidade fiscal. Eu digo sempre o seguinte: não haverá processo eleitoral que me faça fazer que não haja seriedade no controle fiscal."

"A minha tese é a mesma de sempre: nós só gastaremos aquilo que temos, não inventaremos gastos, vamos cumprir nossos compromissos." Lula ainda justificou a necessidade de manter o superávit fiscal, um dos pontos mais criticados da política econômica de seu governo. Segundo o presidente, a manutenção do superávit é necessária para "mostrar aos credores que vamos arcar com nossas responsabilidades" e não porque o governo gosta de fazê-lo. "Quem chegou até agora numa situação de tranqüilidade como chegamos não vai jogar fora a conquista que tivemos."

O presidente afirmou ainda que a semana passada foi "cheia de alegrias" e "maravilhosa" por causa das decisões do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e da Petrobrás sobre o H-bio, um novo tipo de diesel produzido com óleos vegetais, além do anúncio de que, em dois anos, o País estará produzindo uma quantidade adicional de gás natural igual à que hoje importa da Bolívia.

"O Brasil não vai depender de ninguém nessa questão energética e isso - prestem atenção os mais jovens no que eu estou falando - vai colocar o Brasil, nos próximos 20 ou 30 anos, como a maior potência energética do mundo", disse. "Eu jamais imaginei viver para ver a gente dizer: vamos comprar um barril de petróleo, ah não, vamos comprar uma 'saca de petróleo', vamos plantar um 'hectare de petróleo', porque vai ser assim daqui a alguns anos. Ninguém vai conseguir competir com nosso querido País."