Título: PMDB decide hoje se terá candidato
Autor: Cida Fontes
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/05/2006, Nacional, p. A10
Projeto de lançar nome para concorrer com Lula perde força, mas decisão final deve ser do Judiciário, diz Temer
O PMDB decide hoje em convenção nacional se terá candidato à Presidência. Os convencionais chegam ao Auditório Petrônio Portela, no Senado, a partir das 9 horas, para uma jornada de debates. Mesmo se a maioria abrir mão de disputar a Presidência - deixando o PMDB livre nos Estados para eleger o máximo de governadores e bancada federal mais expressiva, uma estratégia que une as alas governista e de oposição -, a briga interna não acabará.
A candidatura própria perdeu força com a verticalização, que obriga os partidos a repetirem nos Estados a coligação nacional. O quadro regional forçou o entendimento das alas governista e de oposição ao governo, deixando praticamente isolado o ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato a presidente, que entrou na Justiça ontem para impedir ou anular a convenção de hoje.
Foi para contornar iniciativas de Garotinho que a convenção, que a Executiva Nacional do PMDB se reuniu ontem à noite e decidiu, por 12 votos a 2, que a decisão de ter ou não candidato dependerá de maioria simples e não de dois terços dos votos. Ou seja, dos 528 convencionais será necessária a presença de pelo menos 264. Com esse quórum mínimo, a ala contrária à candidatura própria vai precisar apenas de 132 votos.
Apenas o senador Sergio Cabral (PMDB-RJ) e o ex-governador Orestes Quércia (SP) votaram contra. Eles alegaram que a Executiva passou por cima da convenção de 2004. Os peemedebistas que desejam liberdade para fazer coligações nos Estados comemoraram a decisão da executiva, mas o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), minimizou a vitória. "A convenção será indicativa e haverá disputa judicial. Necessariamente este assunto só se encerrará em 11 de junho", previu, referindo-se à data da convenção nacional, destinada a homologar as candidaturas.
Os partidários de Garotinho argumentam que é preciso ter dois terços dos 726 votos da convenção e ameaçam ir à Justiça contra a mudança de critério. Da mesma forma, pretendem entrar com recurso se a candidatura própria cair. "Eles não têm a menor chance", reagiu o deputado Jader Barbalho (PA), que propôs a mudança.
OTIMISMO
Na avaliação feita ontem à tarde na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), a candidatura própria vai perder por 453 votos, levando em consideração que muitos convencionais têm mais de 1 voto. A preocupação da cúpula é que a discussão sobre a legalidade da convenção se arraste até junho, como prevê Temer, tumultuando as alianças nos Estados.
Mas aliados do governo, como o senador José Sarney (AP), estão confiantes e acham que terão maioria para isolar Garotinho. "A perspectiva é que tenhamos ampla maioria em favor das alianças estaduais", disse Renan, também otimista. Temer, porém, foi seco: "Eu não tenho prognóstico."
Para evitar tumultos e provocações dos aliados de Garotinho, seguranças do Senado vão barrar os "penetras" e o partido distribuirá senhas para o acesso de outros cem convidados.
O deputado Eduardo Cunha (RJ), aliado do ex-governador, garantiu que não haverá tumultos. Segundo ele, Garotinho discursará, mas por causa da greve de fome está debilitado. Cunha disse que sua candidatura é um "direito adquirido", conquistado na prévia de 19 de março, que venceu. Se for derrotado hoje, prosseguiu, vai levar seu nome à convenção de junho.
Além disso, Cunha disse que a convenção de 2004 aprovou a candidatura própria. "Esta convenção agora é inócua e deveria ser realizada antes da prévia", criticou. "É uma convenção legítima e está respaldada no estatuto do PMDB", reagiu o deputado Eunício Oliveira (CE).
SUPREMO
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa arquivou a ação na qual o deputado Nelson Bornier (RJ) pedia suspensão da convenção. Bornier alegava que o Auditório Petrônio Portela não tem capacidade para receber todos. O ministro rebateu o argumento. O Superior Tribunal de Justiça também rejeitou um pedido de suspensão do encontro.