Título: Família denuncia ameaças do MST e abandona fazenda
Autor: Simone Menocchi
Fonte: O Estado de São Paulo, 31/05/2006, Nacional, p. A11

A vida do aposentado Walter Truyts de Souza, 78 anos, três pontes de safena e um salário mínimo, virou de cabeça para baixo há 15 dias. Ameaçado por integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), ele teve que abandonar a casa onde morava há 31 anos, na Fazenda Macuco, em Taubaté, Vale do Paraíba.

A área, que pertence à massa falida da empresa metalúrgica Pró-Metal e é considerada improdutiva pelo movimento, foi ocupada há 15 dias por 50 famílias integradas ao MST.

"Fomos acordados com eles tentando arrombar a porta. A primeira coisa que fizeram foi cortar o fio do telefone para que ninguém chamasse a polícia. Tivemos que implorar para ficar mais cinco minutos", contou a mulher do aposentado, Maria de Lurdes de Souza, de 51 anos.

Naquela manhã de sábado o aposentado ainda se recuperava da cirurgia para a implantação das pontes de safena. "Pegamos algumas roupas e saímos correndo, pedindo para que não fizessem nada."

Segundo o aposentado, ainda bastante assustado com a situação, os manifestantes estavam com foices e ameaçavam colocar fogo na casa. No mesmo dia, o filho do casal, o caminhoneiro Valmir de Souza, pediu ajuda à Polícia Militar para voltar à casa e buscar os remédios do pai. "Foi a única forma de entrar lá."

Uma semana depois, os móveis foram retirados, com o consentimento dos sem-terra, e, agora, o casal de aposentado está morando de favor na casa dos dois filhos. "Meu pai ganha um salário mínimo, não tem como alugar uma casa, não sabe o que fazer."

A família contou que apesar de estar na área há mais de 30 anos, não protocolou na Justiça o processo de usucapião por falta de dinheiro.

A coordenação regional do MST no Vale do Paraíba negou que seus integrantes tenham feito qualquer ameaça ao casal. O líder Valdemir Nascimento informou que o aposentado foi convidado a participar do Movimento dos Sem-Terra.

"Não podemos obrigar ninguém a ficar no movimento. Outras pessoas que moravam lá também aceitaram ficar. Nossa intenção não é excluir."

SOB INVESTIGAÇÃO

A área, de 725 hectares, estava sendo invadida por proprietários vizinhos e explorada por madeireiros, segundo o MST. "Se o casal quiser, também pode participar do MST, mas tem que cumprir as regras do movimento."

Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a área da Fazenda Macuco está sendo investigada e pertence à massa falida da Pró-Metal. O Incra não divulga a situação do processo de investigação.