Título: Investimento faz PIB crescer 1,4%
Autor: Fernando Dantas
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/06/2006, Economia & Negócios, p. B1
A economia brasileira acelerou no primeiro trimestre de 2006, puxada pela indústria e pela demanda interna, com forte desempenho dos investimentos e continuidade do crescimento do consumo das famílias. O Produto Interno Bruto (PIB), a soma de toda a produção do País, cresceu 1,4% de janeiro a março de 2006, na comparação com o trimestre anterior, livre de influências sazonais. Foi o melhor desempenho em um ano e meio. Em termos anualizados, a taxa corresponde a 5,7%. O setor externo influiu negativamente na economia no trimestre, com as importações crescendo mais que as exportações.
Foi o segundo crescimento trimestral consecutivo, comparado com o trimestre imediatamente anterior, em termos dessazonalizados, depois de uma queda de 0,8% no terceiro trimestre de 2005. Os resultados do PIB trimestral foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB do primeiro trimestre cresceu 3,4%, comparado com igual período de 2005.
A redução dos juros, na esteira do afrouxamento monetário praticado pelo Banco Central desde setembro de 2005, foi decisiva para o bom resultado do primeiro trimestre. Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, "a queda da taxa de juros influenciou positivamente quase tudo".
Para Rebeca, "o grande destaque (do primeiro trimestre) foram os investimentos, que são os primeiros a serem afetados pela queda dos juros". Em relação ao trimestre anterior, em termos dessazonalizados, a formação bruta de capital fixo (FBCF, denominação dos investimentos nas contas nacionais) cresceu 3,7% no primeiro trimestre de 2006. Na comparação com o mesmo trimestre de 2005, o crescimento foi de 9%, o melhor resultado desde o quarto trimestre de 2004.
A gerente observou que os dois componentes dos investimentos, a construção civil e as máquinas e equipamentos, tiveram bom desempenho no primeiro trimestre. A construção civil cresceu 7% em relação ao primeiro trimestre de 2005, estimulada por um aumento nominal do crédito direcionado à habitação, de 17,2%. Segundo Rebeca, "em um ano de eleição, acaba havendo gastos extraordinários em construção civil". Ela notou, por exemplo, que metade da programação da operação "tapa-buracos" nas rodovias federais foi realizada no primeiro trimestre.
O consumo de máquinas e equipamentos aumentou tanto pelo lado da produção interna como pelo das importações, que foram facilitadas pelo câmbio valorizado. Rebeca observou que as importações de máquinas cresceram bem mais que as exportações no primeiro trimestre de 2006.
O consumo das famílias, responsável por 55% do PIB, aumentou 0,5% no primeiro trimestre, em relação ao trimestre anterior, com dessazonalização. O resultado, que ficou aquém dos investimentos e do consumo do governo (1%) foi considerado razoável.
Na indústria, o principal destaque positivo foi o setor extrativo mineral, que cresceu 12,6% na comparação com o mesmo período de 2005, impulsionado por petróleo e gás (12,7%) e minério de ferro (16,8%). A indústria da transformação cresceu em ritmo inferior, de 3%. A agricultura voltou a decepcionar, e recuou 0,5% ante o mesmo período de 2005.