Título: Varig corre o risco de ser vendida por 'preço vil', segundo a Infraero
Autor: Vânia Cristino
Fonte: O Estado de São Paulo, 01/06/2006, Economia & Negócios, p. B16
A Infraero, estatal que administra os aeroportos, vai questionar um ponto chave do edital de licitação da Varig: o não estabelecimento de um preço mínimo em todas as etapas do leilão de venda da companhia aérea. O questionamento, segundo a assessoria de imprensa do órgão, será feito diretamente ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, responsável pelo processo de recuperação e venda da companhia.
Segundo fontes ligadas ao negócio, os credores, em especial empresas estatais, chegaram a pensar em ingressar em juízo para forçar uma alteração do edital de leilão. "As consultorias jurídicas dos credores estão preocupadas em garantir a cobertura do débito", disse uma fonte.
Durante a discussão, no entanto, o governo orientou as suas autarquias a não praticarem qualquer ato que colocasse em risco o leilão.
"Não é intenção da Infraero e nem dos demais credores impedir a realização do leilão", garantiu ontem a assessoria da empresa. A Infraero disse ter tomado a iniciativa de questionar as regras do leilão preventivamente, por ser uma das maiores credoras da Varig.
A estatal, como os demais credores, teme que não haja compradores na primeira rodada do leilão. Para a primeira rodada, foi fixado um preço de US$ 700 milhões pelas operações domésticas da empresa ou US$ 860 milhões pela companhia inteira, excluindo as atividades comerciais.
Como não há um preço mínimo na segunda rodada de negociações, a empresa poderia ser vendida por um "preço vil", segundo a Infraero. "É somente isso que queremos evitar", disse um assessor da estatal.
Além disso, lembram os credores, o preço mínimo foi uma exigência dos credores em assembléia, quando se decidiu a realização do leilão. Segundo a Infraero, as condições do leilão foram negociadas diretamente pelo juiz com os credores.
DATA-ROOM A OceanAir, TAM e a TAP, além do escritório de advocacia Ulhôa Canto, se habilitaram ontem para acessar as informações financeiras (data room) da Varig. Para isso, cada um pagou R$ 60 mil. A TAM informou que apenas pagou pelo acesso às informações, mas que acessaria o data room hoje.
A OceanAir é considerada hoje a principal candidata a levar a Varig. Ontem, o presidente da empresa, Carlos Ebner, disse ter ficado preocupado com o que viu durante a análise do data-room.
Para Ebner, a principal preocupação é com a "sucessão de dívidas trabalhista e fiscal". Outro problema seria a exigência de pagar US$ 75 milhões dentro de três dias.
Um investidor suíço, cujo nome não foi revelado, deve solicitar à Varig acesso ao data-room. O investidor é representado no Brasil pela consultoria Azulis Capital, de Ivone Saraiva, ex-diretora do BNDES. Os investidores têm até domingo para acessar o data room.