Título: Mínimo responde por 42% do déficit do INSS
Autor: Fernando Dantas
Fonte: O Estado de São Paulo, 16/05/2006, Economia & Negócios, p. B3
O aumento real do salário mínimo desde 2000, quando estava em R$ 136,00, é responsável por 42% do déficit atual do INSS, a previdência do setor privado. Isto equivale a R$ 17,8 bilhões, para um rombo total estimado para 2006 de R$ 37,7 bilhões. O aumento real do salário mínimo desde 2000 até 2006, quando ele alcançou R$ 350,00, é de 49%. Os cálculos foram feitos pelo economista Raul Velloso, para sua apresentação de hoje no 18º Fórum Nacional. Na exposição que preparou para o evento, o economista mostra que o INSS é o maior problema da política fiscal brasileira.
De 2000 a 2005, os aumentos do mínimo provocaram um aumento do déficit do INSS de R$ 10,2 bilhões, ou 27% do buraco do ano passado. Em só um ano, portanto, de 2005 para 2006, o aumento do salário mínimo de R$ 300 para R$ 350 fez com que a contribuição deste item para o déficit do INSS saltasse de 27% para 42% do total. Em 2006, ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tentar a reeleição, o aumento real do salário mínimo foi de 13%, mais do que os 10,8% acumulados nos primeiros três anos deste governo.
Os dados de Velloso mostram que 7 milhões de aposentados rurais e 5,9 milhões urbanos ganham um salário mínimo, o que correspondeu em 2005 a uma despesa de R$ 47 bilhões.
Mas os problemas do INSS também derivam dos 8,2 milhões de aposentados que ganham mais de um salário mínimo, e que em 2005 receberam um total de R$ 94,9 bilhões. Velloso ressalta que, deste total, apenas 47,4 bilhões são gastos com aposentadorias por tempo de contribuição, e que o restante vem de pensões e benefícios de invalidez, aposentadoria por idade e auxílio-doença.