Título: Petrobrás vai discutir indenização
Autor: Kelly Lima
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/05/2006, Economia & Negócios, p. B3

Presidente da estatal lembra que, pela Constituição boliviana, qualquer nacionalização prevê compensação

Opresidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, apresentará amanhã ao representante da boliviana YPFB a proposta de reajuste zero para o gás. A estatal vai alegar que não há razão para mudar o preço agora. Os bolivianos já comunicaram a intenção de aumentar o preço do gás em mais de 60%.

Gabrielli disse que vai aproveitar a reunião para discutir outros aspectos do decreto boliviano, entre os quais a indenização pelas refinarias parcialmente nacionalizadas. "Pela Constituição boliviana, qualquer nacionalização prevê uma indenização prévia e essa questão tem que ser colocada", disse ele.

"A YPFB quer uma coisa e nós, outra. Partiremos então para uma negociação, como é absolutamente natural, racional e tradicional entre duas empresas", argumentou Gabrielli, ontem, após participar de solenidade no Espírito Santo.

O executivo viajou ontem mesmo para Caracas, Venezuela, onde se encontrará com representantes da estatal venezuelana PDVSA para discutir investimentos em comum. Em seguida, partirá para La Paz, onde se reunirá amanhã com o presidente da YPFB, acompanhado pelo ministro de Minas e Energia do Brasil, Silas Rondeau, e do de Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Solis Rada.

Gabrielli negou qualquer ligação entre sua viagem para a Venezuela e a crise na Bolívia e evitou comentar o assunto ao ser perguntado sobre a possibilidade de a Venezuela estar por trás ou participar indiretamente da elaboração do decreto de nacionalização das reservas de gás bolivianas.

"BOLÍVIA BOA" A Petrobrás iniciou ontem a produção do primeiro módulo do Campo de Golfinho, no norte do Espírito Santo, que tem capacidade para produzir 100 mil barris de óleo leve por dia e 3,5 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. A produção de gás, entretanto, estará prejudicada pela falta de infra-estrutura de transporte do combustível para seu principal mercado, a Região Sudeste.

Em 45 dias será concluído um duto que liga a plataforma à terra, na altura do município de Cacimbas. O segundo trecho do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), que parte de Cacimbas para Vitória, poderia levar o gás para abastecer a capital capixaba, mas estará concluído somente no fim deste ano.

Outro trecho que poderia colocar o gás no mercado paulista, diminuindo a dependência da Bolívia, também só fica pronto no fim de 2007. Segundo o diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, apenas 1 milhão de metros cúbicos por dia poderão ser escoados da plataforma para terra, de uma capacidade total de 3 milhões e meio de metros cúbicos por dia.

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung aproveitou a crise boliviana para criar uma brecha para o seu Estado receber mais investimentos da Petrobrás. "Somos a Bolívia boa. Temos reservas de gás e garantias de cumprimento de contrato", afirmou.