Título: Saulo entrega hoje cópias de 79 BOs
Autor: Eduardo Nunomura e Laura Diniz
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/05/2006, Metrópole, p. C1

O secretário da Segurança, Saulo Abreu, entregará hoje ao Ministério Público Estadual as cópias de 79 boletins de ocorrência sobre casos de pessoas mortas pela polícia na semana passada. Trata-se do total de mortes que o governo anunciou anteontem ter relação com ataques efetuados pelo PCC. Saulo deve informar ainda que não tem como enviar cópias dos laudos sobre os mortos porque o Instituto Médico-Legal ainda não concluiu o trabalho.

Os dados foram pedidos pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, que deu 72 horas para que Saulo enviasse as informações - o prazo vence à meia-noite de hoje. Pinho baseou seu pedido no fato de o MPE exercer o controle externo da atividade policial.

A demora na divulgação das informações levantou suspeitas de que entre os mortos haja vítimas inocentes de violência policial, possibilidade admitida pelo governador Cláudio Lembo em entrevista ao Estado no domingo. Caso Saulo não entregue os dados, ele pode ser alvo de uma ação criminal sob a acusação de desobediência.

Pinho disse ontem que continua esperando a lista com os nomes das vítimas e os respectivos BOs requisitada ao governo. "As informações oficiais têm dados complementares que podem auxiliar nas investigações. Se já tivessem nos enviado o material antes, a instituição já teria melhores elementos para apurar os fatos."

Pinho não revelou se a possibilidade de processar autoridades por crime de desobediência continua valendo. "Vamos esperar o fim do prazo para ver o que acontece."

A divulgação dos nomes se transformou numa queda-de-braço entre Pinho e Saulo. O secretário alega que o MPE tem acesso aos dados sobre mortos pela polícia por meio do Infocrim, sistema de dados online da secretaria onde é possível ver a íntegra dos BOs. Os promotores disseram ao Estado na terça-feira que tiveram problemas para entrar no sistema, que estaria fora do ar - ontem, o Infocrim voltou a funcionar.

O MPE designou integrantes do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Grupo de Atuação Especial no Controle da Atividade Policial (Gecep) e das Promotorias de Execução Criminal para acompanhar as investigações .