Título: Supremo manda prender suspeitos que TRF soltou
Autor: Sônia Filgueiras e Vannildo Mendes
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/05/2006, Nacional, p. A12

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie Northfleet, mandou prender de novo todos os suspeitos das fraudes para compra de ambulâncias por prefeituras com recursos do Orçamento da União. Ela restabeleceu ontem as prisões decretadas pela 2ª Vara Federal de Mato Grosso na Operação Sanguessuga, da Polícia Federal. A PF iniciou o trabalho de recaptura, mas até a noite prendera apenas 12 dos 44 libertados.

Na terça-feira, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) em Brasília determinou a soltura dos presos e a transferência para o STF de todos os inquéritos, sob o argumento de que há suspeita de envolvimento de parlamentares - que têm direito a foro privilegiado, ou seja, só podem ser julgados pelo STF.

Em despacho de apenas duas páginas, Ellen Gracie observou que já tramitam no tribunal reclamações com o objetivo de garantir a transferência para o Supremo dos inquéritos da Operação Sanguessuga. "Nenhum outro órgão judiciário que a própria Suprema Corte está autorizado pelo sistema constitucional a impor tal manifestação."

Ellen Gracie citou decisão recente do ministro do STF Marco Aurélio Mello, segundo a qual as investigações estão em fase de suma importância e as prisões representam a garantia da realização de depoimentos e de atos de apreensão. No despacho, ela determina a suspensão de todos os efeitos da decisão do TRF. Ontem, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse que a decisão do TRF foi equivocada.

DESGASTE

A PF passou circular aos portos, aeroportos e postos de fronteira para impedir a saída do País de qualquer dos 32 acusados ainda soltos. Também acionou a área de inteligência para localizá-los. Os ex-deputados Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues estavam entre os que não tinham sido recapturados.

A busca provocou desgaste à PF, que teve de interromper outras operações e mobilizar mais de 100 homens. Para o superintendente da PF em Mato Grosso, Aldair da Rocha, os 44 não deveriam ter sido soltos.