Título: Fed está atento a risco inflacionário
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Fonte: O Estado de São Paulo, 06/06/2006, Economia & Negócios, p. B3

Bernanke, presidente do Federal Reserve, diz que preços receberão especial atenção; juros podem subir mais

Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), admitiu ontem que a economia dos Estados Unidos está começando a diminuir o ritmo de crescimento, como se esperava, mas a inflação continua preocupando a autoridade monetária. Na próxima reunião do Fed, nos dias 28 e 29, Bernanke disse que as perspectivas para a inflação "receberão particular atenção" e os dirigentes do Fed "estarão vigilantes" para assegurar seu controle. A leitura do mercado às declarações de Bernanke é de que o Fed pode continuar sua seqüência de altas na taxa de juros.

Em pronunciamento na Associação Americana de Banqueiros, em Washington, Bernanke fez a mais ampla avaliação das condições econômicas dos EUA desde que tomou posse, em fevereiro. E pela primeira vez, deu ênfase à preocupação com a inflação.

Ele lembrou que este ano a inflação para o consumidor tem sido puxada, em boa parte, pela alta dos preços da energia. O núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, da sigla em inglês), o principal indicador considerado pelo BC americano ao estabelecer a política monetária, subiu 3,2% em projeção anualizada nos 3 últimos meses, e 2,8% nos últimos 6 meses. "Estes fatos são indesejáveis", comentou.

O núcleo do CPI exclui os preços voláteis dos alimentos e da energia. O núcleo deste e de outros índices tem subido de modo consistente, e com o petróleo futuro em torno de US$ 70 o barril, os economistas acreditam que o preço final de vários produtos e serviços não poderá ser contido no curto prazo.

Para refrear o potencial inflacionário, o Fed aumentou o juro 16 vezes desde junho de 2004, sempre em 0,25 ponto porcentual, elevando-o de 1% para 5%. Para alguns analistas, na próxima reunião a taxa será elevada de novo em 0,25 ponto para segurar a inflação. Mas há os que acreditem que o Fed fará uma pausa para avaliar melhor as condições econômicas do país.

"Parece razoavelmente claro que a economia americana está entrando num período de transição", disse. "A moderação prevista do crescimento econômico já parece estar em marcha. Por isso, a política monetária deve ser conduzida com grande cuidado e com pleno acompanhamento da evolução das perspectivas da economia."

Bernanke afirmou que a economia, depois de subir 5,3% no primeiro trimestre, está rumando para um ritmo mais moderado porque, entre outros motivos, "o consumidor está mais cauteloso nos gastos por causa da alta dos preços da energia". Ao mesmo tempo, comentou, o mercado de imóveis está se desacelerando. Os gastos dos consumidores correspondem a dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

Analistas comentaram que essa queda era esperada, na medida em que o crescimento do PIB no primeiro trimestre foi puxado pelo firme aumento dos gastos governamentais.