Título: Celebridades adotam a causa
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Fonte: O Estado de São Paulo, 06/05/2006, Internacional, p. A22,23

George Clooney e Bono Vox jogam seu prestígio para tentar melhorar as condições no Sudão

A morte de quase 180 mil pessoas no conflito de Darfur, no Sudão, e a fuga de mais de 2 milhões de pessoas de suas casas naquele território comoveram grandes personalidades do mundo artístico, que vêm realizando incessantes campanhas em favor das vítimas e do fim da matança. Entre elas, estão, por exemplo, Bono, o líder da famosa banda irlandesa de rock U2 , e os atores George Clooney e Chris Rock.

Ao tomar conhecimento da decisão da principal facção rebelde, Exército de Libertação do Sudão, de assinar acordo de paz com o governo sudanês, Bono disse esperar que a comunidade internacional, cuja pressão contribuiu decisivamente para a conclusão das negociações, continue colaborando para a estabilização política e social da região.

O líder da banda U2, eleito recentemente pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo, está realizando uma turnê pelo Canadá, depois de participar de concentrações e manifestações de protesto contra o conflito sudanês nos Estados Unidos. Em Ottawa, ao aplaudir a conclusão do acordo, ele intensificou campanha de combate à pobreza, à aids e às drogas em todo o continente africano.

O ator George Clooney manifestou grande satisfação ao tomar conhecimento da conclusão das negociações sobre Darfur em Abuna, na Nigéria. Mas alertou para as dificuldades de implementação do processo de paz numa região devastada pela guerra, cujo êxito exige ainda um imenso esforço dos governos da região e das grandes potências.

George Clooney liderou a grande concentração ocorrida no centro de Washington no dia 30 em favor do encerramento da matança em Darfur, que reuniu vários milhares de americanos. Também personalidades políticas como o ex-presidente americano Bill Clinton e líderes religiosos, como o papa Bento XVI, denunciaram o "genocídio" levado a cabo naquele país africano. A grande maioria dos refugiados está confinada em campos no Chade, vivendo em precárias condições. Muitos deles, apesar dos entendimentos ocorridos na Nigéria, se recusam a voltar para suas casas, temendo serem mortos pelos rebeldes antes da implementação dos termos do acordo. Funcionários das Nações Unidas concordam com eles. "A ajuda humanitária é necessária, mas eles precisam agora, sobretudo, ter certeza de que Darfur vai conseguir uma paz duradoura e que viverão ali em absoluta segurança."