Título: VarigLog desiste da Varig e plano B avança
Autor: Nilson Brandão Junior
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/05/2006, Economia & Negócios, p. B11

Já há 10 interessados na compra da parte doméstica da companhia, sem dívidas: negócio é de US$ 700 milhões

A VarigLog retirou ontem sua proposta de US$ 400 milhões de aquisição da Varig. Com isso, a empresa concentra todos os seus esforços no chamado plano B, que prevê a separação da empresa em duas, a doméstica, sem dívidas, e a internacional. Ontem, credores reuniram-se na sede da empresa para avaliar a alternativa da cisão, que tem apoio do governo. Os credores consideraram a proposta "viável" e deverão votá-la em assembléia na segunda-feira.

Para Marcelo Gomes, diretor-geral da Alvarez&Marsal, empresa reestruturadora da Varig, a saída da VarigLog, que até duas semanas atrás era tida como a melhor proposta, não preocupa, pois já existem "mais de dez" interessados em analisar a compra da parte doméstica da Varig. A operação doméstica foi avaliada em US$ 700 milhões e conta com possível financiamento do BNDES.

Gomes não revelou os nomes dos investidores. Indicou apenas que seriam companhias aéreas e fundos de investimento. TAM, Gol e Ocean Air já estiveram no BNDES para levantar informações sobre o assunto, conforme antecipou o Estado. Ontem, foi a vez da Trip Linhas Aéreas visitar a instituição. A Webjet também está disposta a buscar dados. "Temos interesse de olhar a alternativa", disse o presidente da empresa, Paulo Enrique Coco. A principal preocupação das empresas é obter uma garantia absoluta de que não haveria sucessão de dívidas numa eventual aquisição.

A ASM Asset Management está montando um consórcio e haveria um fundo texano e um banco de investimento no grupo de potenciais interessados.

A venda terá financiamento em até 50% do valor pelo BNDES, que também deverá conceder empréstimo-ponte de US$ 100 milhões. Caso a proposta venha a ser apresentada em assembléia, Gomes informou que na terça-feira o banco deverá anunciar detalhes da operação. O BNDES indicou que não terá relação comercial com a Varig endividada. O financiamento sairia por meio de empresa interessada, que funcionaria como uma etapa intermediária, garantindo a operação.

Na próxima segunda-feira, serão votadas a proposta da venda da parte doméstica - que segundo a Alvarez&Marsal é de consenso com o governo - e os projetos dos Trabalhadores do Grupo Varig (TGV) e do consultor Jayme Toscano. Há apenas três propostas, disse o executivo. A alternativa da cisão leva em conta que a Varig Internacional continuaria com as dívidas e dentro do plano de recuperação judicial. A injeção de recursos da venda da parte doméstica serviria para acertar parte do passivo, principalmente recomposição da frota e pagamento das dívidas. A idéia é partir para a disputa de tarifas mais elevadas.

Também serão votadas alterações no plano, como o alongamento do prazo e redução dos juros para o pagamento de dívidas acumuladas (no processo de recuperação).

Já a VarigLog, que era a principal candidata à compra da Varig, mudou de planos. Sem apoio governamental à proposta da VarigLog, a Volo do Brasil, que adquiriu a subsidiária de cargas no ano passado, agora irá se concentrar em obter a aprovação para a compra da própria VarigLog. Segundo fontes que acompanham o caso, ainda faltam documentos importantes para que a operação seja aprovada. "A VarigLog ainda pode voltar para a Varig", diz a fonte.