Título: Amorim reconhece falhas na relação com os países menores do Mercosul
Autor: Denise Chrispim Marin
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/05/2006, Economia & Negócios, p. B6
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reconheceu que uma das limitações do Mercosul até hoje foi não ter conseguido atender de maneira mais dinâmica as expectativas das economias menores do bloco - Uruguai e Paraguai. "Nós e eles acreditávamos que com instrumentos tarifários resolveríamos isso. Mas, infelizmente,não foram suficientes."
Para o ministro, faltam políticas industriais e de compras governamentais para esses países, "seja para vender ao exterior ou para os países maiores do Mercosul. Mas isso é uma verdadeira revolução cultural na própria burocracia e no empresariado, que leva tempo", disse ele, depois de participar de uma reunião da Organização Internacional do Trabalho.
O ministro adotou um tom mais evasivo, contudo, ao comentar a ameaça do presidente uruguaio, Tabaré Vasquez, de deixar o Mercosul. Amorim ressaltou, porém, a importância do parceiro no bloco: "O Brasil valoriza muito o papel do Uruguai por ser um país com uma consciência jurídica importante para a personalidade do Mercosul. O Brasil acha que o Mercosul só é o Mercosul porque tem os países pequenos. Não é apenas uma união econômica, é uma união política. E, nesse sentido, a presença dos países menores é fundamental, como foi na Europa".
Mas o chanceler afirmou que o Brasil não vai interferir em problemas bilaterais, como a disputa entre o Uruguai e a Argentina por causa da construção de duas fábricas de celulose.
Para Amorim, a integração sul-americana é a única maneira de garantir a presença efetiva dos países da região no mercado internacional: "Se não formos capazes de construir este bloco, nós vamos agir de maneira fragmentada e em prejuízo nosso. O Brasil é um país grande, mas do ponto de vista das grandes economias, não é grande o necessário para enfrentar esta luta".