Título: Gabrielli diz que não aceitará aumentos
Autor: Paulo Moreira Leite
Fonte: O Estado de São Paulo, 06/05/2006, Economia & Negócios, p. B4
Presidente da Petrobrás não vê contradição com afirmações de Lula
O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, reforçou ontem a disposição da empresa em não ceder a pressões por reajustes no preço do gás boliviano. "A posição da Petrobrás é a de não aceitar aumento de preços, e vamos defender isso na negociação", disse o executivo, em nota distribuída pela companhia. Ele afirma que não há contradição entre as declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a posição da companhia. Nos últimos dias, Lula apoiou publicamente o presidente Evo Morales em sua luta para aumentar a receita com as exportações do combustível.
Gabrielli afirmou ainda que os investimentos na Bolívia continuam suspensos. "Nada mudou em relação ao que temos afirmado", disse o presidente da Petrobrás, um dia após Lula afirmar em entrevista que a empresa continuaria investindo no país vizinho. Para a estatal, as declarações do presidente durante encontro em Puerto Iguazú facilitam as negociações, "restabelecendo o foro técnico e econômico em que ela deve se dar".
No mercado, porém, um aumento nos preços é tido como certo. O Brasil paga hoje à YPFB cerca de US$ 3,2 por 1 milhão de BTU (unidade de medida energética), sem contar o custo do transporte, enquanto o preço no mercado internacional supera os US$ 5. "A verdade é que o gás boliviano está barato na comparação com outros mercados", diz o coordenador do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) para a área de gás, Rosalino Fernandes. Na nota de ontem, Gabrielli disse que o contrato prevê 45 dias de negociações e, se não houver consenso, pode-se partir para um processo de arbitragem no mercado internacional.
A Petrobrás garante que as negociações com os bolivianos ainda não chegaram ao ponto de discutir reajuste, mas a tendência é que o preço chegue mais perto do cobrado no exterior, avaliam especialistas. Até porque, se optar pela importação de gás natural liqüefeito (GNL) de outros países, a estatal terá de pagar o preço internacional, diz Fernandes.
Segundo ele, porém, o impacto ao consumidor será diluído, pois as concessões estaduais de distribuição de gás canalizado só permitem repasses uma vez por ano. Em São Paulo, por exemplo, o repasse referente a 2006 foi feito no início do ano.