Título: Egípcio é face da Al-Qaeda no Iraque
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Fonte: O Estado de São Paulo, 16/06/2006, Internacional, p. A10
Militares dos EUA divulgam foto de Al-Masri, o especialista em explosivos e provável sucessor de Zarqawi
Os militares americanos divulgaram ontem a foto do homem que acreditam ser o novo líder da rede terrorista Al-Qaeda no Iraque, substituto de Abu Musab al-Zarqawi, morto num bombardeio na semana passada. O sucessor seria o egípcio Abu Ayyub al-Masri, que começou a se envolver com o extremismo islâmico em 1982, ligando-se à Jihad Islâmica do Egito. Ele esteve em campos de treinamento da Al-Qaeda no Afeganistão, formou a primeira célula do grupo em Bagdá e era assessor de Zarqawi, disseram oficiais militares americanos.
Na segunda-feira, a Al-Qaeda no Iraque informou num site usado por radicais islâmicos que o lugar de Zarqawi seria ocupado por Abu Hamza al-Muhajir. "Nós achamos que Abu Ayyub al-Masri é provavelmente Abu Hamza al-Muhajir. São provavelmente um só", disse o general William Caldwell, porta-voz das forças americanas de ocupação no Iraque.
Caldwell descreveu Al-Masri como um perito em explosivos. Teria chegado ao Iraque depois que as tropas dos EUA removeram o movimento islâmico taleban do poder no Afeganistão, no fim de 2001. Para Caldwell, o conhecimento profundo que Al-Masri tem da rede terrorista ajudará a Al-Qaeda a ganhar alguma expressão. "Nada indica que ele agirá de modo diferente de Zarqawi", complementou.
O jordaniano Zarqawi, um militante sunita, teria decapitado pessoalmente vários reféns estrangeiros e organizado o fluxo de militantes islâmicos de países árabes que participam de atentados suicidas no Iraque. Mas sua ênfase em ataques contra os xiitas, incluindo civis, fez com que se incompatibilizasse com grupos insurgentes que têm como meta principal a expulsão das tropas estrangeiras.
Especialistas nos grupos radicais islâmicos avaliam que a Al-Qaeda pode alterar suas táticas, concentrando-se nos americanos e nas forças de segurança iraquianas. Mas o governo do Iraque mostrou-se confiante ontem no combate à Al-Qaeda.
Autoridades disseram que documentos apreendidos nos últimos dias proporcionaram informações cruciais para a localização de militantes e o enfraquecimento da rede terrorista.Ontem o governo divulgou um texto que diz ter sido apreendido num esconderijo de Zarqawi. No documento fica evidente a preocupação da direção da Al-Qaeda com seu enfraquecimento no Iraque. São listados como problemas as prisões de militantes, confisco de armas e munições, falta de dinheiro e redução do apoio entre a população. Os líderes esperavam que uma guerra entre Irã e EUA os salvasse de uma situação sombria.
Esse e outros documentos foram encontrados depois do bombardeio que matou Zarqawi, no dia 7, e durante a ampla operação lançada na quarta-feira pelas forças americanas e iraquianas contra a insurgência em Bagdá. Num balanço das ofensivas militares desde a morte de Zarqawi, militares dos EUA disseram ter efetuado 452 operações contra os insurgentes, matando 104 militantes.
O primeiro-ministro Nuri al-Maliki aceitou a renúncia de um de seus assessores, Adnan Ali al-Kadhimi, por ter declarado ao The Washington Post que o governo está analisando uma proposta de anistia a grupos rebeldes. Um comunicado de Maliki assinalou que Kadhimi não é autorizado a falar em seu nome. Kadhimi havia dito que a anistia seria para "quem não tivesse sangue iraquiano nas mãos".