Título: Militantes palestinos matam 2 soldados israelenses e capturam 1
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 26/06/2006, Internacional, p. A12

Militantes palestinos da Faixa de Gaza lançaram ontem sua primeira ofensiva mortífera em Israel desde a retirada israelense do território, em setembro, matando dois soldados israelenses e capturando um terceiro. Dois militantes também morreram na ofensiva.

Os militantes se infiltraram no posto militar israelense de Kerem Shalom por meio de um túnel cavado sob a cerca que separa a Faixa de Gaza do território israelense. O ataque elevou para seu ponto mais alto a tensão na área desde a retirada israelense.

Os líderes israelenses ordenaram ao Exército que prepare planos para uma "dura resposta", que poderia incluir ataques à infra-estrutura civil e a membros do governo da Autoridade Palestina (AP), chefiado pelo grupo radical Hamas - que venceu as eleições de janeiro. O governo israelense, no entanto, decidiu adiar por dois dias sua resposta militar, para permitir conversações pelos canais diplomáticos para tentar obter a libertação do soldado seqüestrado, disse uma fonte política.

Antes da anunciada "dura resposta", forças de Israel, com tanques e helicópteros, entraram ontem no sul da Faixa de Gaza para procurar o soldado seqüestrado, Guilad Shalit, de 19 anos. O soldado foi recrutado há 11 meses.

Três grupos - o Qassam (braço armado do Hamas), o Exército Islâmico e os Comitês de Resistência Popular (CRP) - assumiram a responsabilidade pela ofensiva, lançada após ataques aéreos de Israel que mataram 14 civis palestinos nas últimas semanas. "Esta operação é uma resposta natural aos crimes de Israel, às mortes de mulheres e crianças e os assassinatos de dois líderes (militantes)", disse um porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri. Acredita-se que Shalit esteja em poder do Exército Islâmico, dissidência dos CRP. A TV do Hamas divulgou comunidado de um porta-voz do grupo, Abu Musanna, rejeitando os pedidos de libertação.

Segundo um porta-voz do Exército de Israel, entre sete e oito palestinos se infiltraram pelo túnel e se dividiram em três grupos. Um deles atacou um veículo blindado vazio, o outro lançou granadas contra um tanque e o terceiro fez vários disparos. "Depois eles voltaram a Gaza. Temos dois mortos, três feridos e um soldado desaparecido", disse o porta-voz.

"Este foi um ataque terrorista muito grave do Hamas", disse o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. "Israel considera que a AP, liderada pelo presidente Abu Mazen (Mahmud Abbas), e o governo palestino são responsáveis pelo incidente, com todas suas implicações."

Abbas se reuniu ontem à noite com o primeiro-ministro Ismail Hanyieh, do Hamas. Ele pediu aos funcionários do Hamas que façam o que puderem para garantir a libertação do soldado, disse um assessor. Em um comunicado, Abbas condenou o ataque e disse que a ofensiva "violou o consenso nacional". Por telefone, ele pediu a líderes árabes e europeus que "impeçam Israel de explorar o ataque para lançar uma agressão em larga escala contra Gaza". A ofensiva deve prejudicar as conversações que Abbas e Hanyieh iniciaram sábado sobre um plano de criação de um Estado Palestino que implicitamente reconhece Israel.