Título: Resultado provoca surpresa e dúvidas entre trabalhadores
Autor: Lu Aiko Otta, Vera Rosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 09/06/2006, Economia & Negócios, p. B3
Principal questionamento entre os empregados é a origem do dinheiro
O resultado do leilão surpreendeu e deixou dúvidas entre os trabalhadores da Varig que foram acompanhar a venda da empresas aérea. Eles saíram frustrados e sem entender totalmente a proposta do TGV. A expectativa de grande parte dos mil funcionários presentes ao hangar onde foi feita a cerimônia era de que companhias aéreas apresentassem ofertas.
Para alguns deles, o lado positivo na proposta do TGV é a manutenção da parte doméstica junto da internacional. À saída do leilão, os comentários eram desencontrados. "A Varig foi vendida pela metade do lance mínimo, ainda não tem nada certo, vai depender da decisão do juiz", comentou, ao deixar o hangar, Daniel Vasconcelos, 21 anos, que trabalha há um ano e dois meses na empresa e esperava que o leilão definisse o futuro da Varig. "Parece que depende de muita coisa ainda essa venda", dizia o analista de tarifas Gabriel Albuquerque, 35 anos.
Gabriel e outros dois amigos da empresa, o também analista Renato Arena, 32 anos, e a operadora de reservas Sabrina Tereza Terra, acompanharam a saída dos funcionários da empresa do hangar. Arena se mostrava surpreso e disse que o dinheiro da TGV virá de um investidor que ninguém sabe quem é.
No lugar de uma competição marcada por lances rápidos e sucessivos, típicos de leilões disputados, minutos de silêncio marcaram etapas da venda ontem. Enquanto os minutos do prazo do leiloeiro para a apresentação de propostas demoravam a passar, o clima era de ansiedade - bem diferente dos momentos iniciais, como os fortes aplausos para o discurso do Juiz Luiz Roberto Ayoub ou para a aproximação de um Boeing da companhia.
Sabrina resumiu bem a sensação geral, quando perguntada se saía do evento melhor do que havia chegado: "Claro que não voltamos (para casa) mais tranqüilos do que quando viemos para cá. Vamos ficar mais tranqüilos quando tivermos mais informação."
"Todo mundo foi pego de surpresa, porque não teve outra proposta, foi só uma", dizia Kátia Dias, 32 anos, que acompanhou o leilão junto da amiga Silvana Almeida, 38 anos. Aposentado na companhia desde 1990, depois de ter trabalhado na área de manutenção, como telegrafista de terra e comissário de vôo, Amauri Guedes, 71 anos, chegou ao hangar com uma bandeira do Brasil e deixou o lugar cabisbaixo. "Eles querem usar o dinheiro do Aerus. Isso é um tiro no pé. Eu quero que a Varig sobreviva, mas não entendi a proposta em detalhes, não posso fazer um juízo de valor", disse.