Título: Mantega diz que aumento levaria a 'carnificina de cortes'
Autor: Denise Madueño
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2006, Economia & Negócios, p. B4
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu ontem o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao aumento de 16,67% para as aposentadorias maiores que um salário mínimo, com o argumento de que o reajuste implicaria "uma carnificina de cortes no governo" ou no não cumprimento da meta do superávit primário, de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano. Na reunião ministerial, comandada por Lula, houve uma avaliação geral de que o veto representa "um grande peso sobre o governo", como definiu a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
A ministra acrescentou que "o ato de governar é o de tomar posições absolutamente impopulares à primeira vista", mas que a população vai compreender os motivos do governo. Houve um consenso de que não havia outra saída ao presidente, apesar do desgaste em plena campanha pela reeleição, e que é preciso reagir às críticas.
O aumento da aposentadoria foi aprovado pelo Congresso como acréscimo à Medida Provisória 288, que elevou o salário mínimo de R$ 300 para R$ 350, e vetado pelo presidente na segunda-feira. "Caso fosse dado o reajuste de 16%, teríamos um impacto adicional de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões, estaríamos desequilibrando as contas públicas brasileiras. Teríamos que fazer uma carnificina de cortes no governo ou não apresentar o superávit primário e isso não vamos fazer", afirmou Mantega, após a reunião. Ele atribuiu à oposição uma tentativa de constranger o governo.
Mantega disse considerar a insistência no aumento "uma provocação". "Os aposentados já estão recebendo muito mais (de aumento) do que já receberam talvez em toda a história. Há uma medida de caráter político de alguns, que talvez nem acreditem que deva ser dado isso, para deixar o governo em situação de constrangimento. Mas não há constrangimento. O Ministério da Fazenda recomendou o veto ao presidente porque poderia pôr em risco do equilíbrio das contas públicas."
Segundo Dilma, houve uma avaliação geral de que "o grande peso que sobre o governo recai é o de termos que cumprir o compromisso com a austeridade e a robustez fiscal". Ela acrescentou que "a população entenderá que tenhamos que propor o veto aos aposentados".