Título: Petrobrás acha óleo em Santos e diz que é marco histórico
Autor: Irany Tereza
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2006, Economia & Negócios, p. B7

A Petrobrás anunciou ontem uma nova descoberta de óleo leve na Bacia de Santos, a mais de 5 mil metros de profundidade. É a segunda descoberta do tipo nos últimos meses o que, segundo especialistas, reforça a tese da existência de uma nova bacia petrolífera situada em uma camada do solo bem mais abaixo da que vem sendo explorada no Sudeste. A estatal, em nota, considerou o encontro do óleo "um marco histórico". Mas ainda não há condições de determinar o volume da jazida e se a extração no local é comercialmente viável.

"O poço, ainda em perfuração, está situado em uma área de nova fronteira exploratória, em águas com 2.140 metros de profundidade, e representa um marco histórico na atividade de exploração de petróleo no Brasil: é o primeiro a ultrapassar uma camada de sal de mais de 2 mil metros de espessura, no subsolo marinho, e encontrar petróleo", diz o comunicado.

A perfuração ocorreu no bloco BM-S 11 (sigla usada para identificar as áreas na Bacia Marítima de Santos), que foi arrematado em 2000 pela Petrobrás, em parceria com a britânica BG e a portuguesa Petrogal, no segundo leilão realizado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Petrobrás é a operadora do bloco, com participação de 65%; a BG tem 25% e a Petrogal, 10%. Por lei, as empresas têm obrigação de informar imediatamente ao órgão regulador a existência de indícios de petróleo e gás nos locais perfurados. Mas, por causa do trabalho preliminar no campo, nenhum executivo da companhia forneceu detalhes da operação.

"É uma ótima notícia. Não é de hoje que se vem alertando para a necessidade de perfuração abaixo da camada de sal. Mas é um trabalho difícil e muito caro", diz o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor e consultor de mercado, Bacoccoli atuou por 30 anos na Petrobrás, na área de exploração e produção.

Ele argumenta que, embora internacionalmente forte na produção de óleo em lâminas d'água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de grande profundidade, em torno de 2 mil metros, a Petrobrás ainda trabalha com uma média de perfuração de poços que não passa de 2,5 mil metros. No caso como o da descoberta de Santos, é necessário um poço de 5 mil a 6 mil metros até chegar à jazida. Para o especialista, será necessária a perfuração de mais três poços para verificar o potencial do bloco, como dimensão da jazida e a medida de vazão.

Bacoccoli acredita que a descoberta deveu-se à aceleração dos trabalhos da Petrobrás em Santos, por causa da crise do gás. "Para encontrar gás, é necessário explorar em locais ultraprofundos, onde as temperaturas são mais elevadas. É possível que, à procura de gás, a Petrobrás tenha descoberto óleo. E um óleo leve, também mais comum sob temperaturas elevadas", explica.

O óleo leve, com maior grau API - medida internacional que determina a qualidade do petróleo -, tem valor comercial maior que o óleo pesado, comum em Campos, a maior bacia produtora brasileira. Por suas especificações, esse tipo de óleo tem custo de refino mais baixo. Não há informações sobre o grau de API do óleo encontrado em Santos.

A Petrobrás informa que, "por se tratar de uma nova fronteira exploratória, os resultados preliminares são muito importantes, porém serão necessários investimentos adicionais para a avaliação de volume e produtividade desses reservatórios". O poço, o primeiro no bloco BM-S-11, fica a 250 quilômetros da costa sul do Rio e a 280 quilômetros da Refinaria Duque de Caxias.