Título: Emergência na Varig vai até dia 18
Autor: Isabel Sobral, Alberto Komatsu e Mariana Barbosa
Fonte: O Estado de São Paulo, 12/07/2006, Economia & Negócios, p. B14

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu prorrogar o plano de emergência para a Varig até o dia 18, data prevista para o novo leilão da empresa. O plano deveria ter terminado no dia 10. A prorrogação foi pedida pela própria Varig, já que a empresa não conseguirá retomar os vôos canceladas nas últimas semanas.

O plano de emergência, na verdade, consiste basicamente em realocar os passageiros da Varig em outras companhias, o que vem ocorrendo desde 21 de junho, segundo a Anac. TAM e Gol confirmaram que estão absorvendo os passageiros da concorrente sempre que há assentos disponíveis.

Os cancelamentos de vôos e a dificuldade da Varig em cumprir horários, porém, provocaram uma queda nas médias de qualidade dos serviços prestados pelas companhias aéreas brasileiras em junho, segundo os dados da Anac. Em regularidade de vôos oferecidos no mercado doméstico, a Varig obteve um índice de 51%, bem longe dos 96% conseguidos pela companhia em janeiro. Nos vôos internacionais, o índice de regularidade caiu de 90% em janeiro para 46% em junho. Por causa disso, a média de regularidade de todas as empresas atingiu em junho 71% no cenário internacional. No início do ano, era de 94%. No doméstico, a média passou de 95% para 84%.

No quesito eficiência operacional, que abrange a avaliação de serviços prestados aos passageiros em relação aos custos de exploração da atividade, a Varig teve um índice de 42%, o menor entre as empresas que atuam no mercado doméstico. Em janeiro, a empresa havia obtido 82%. Nas vôos internacionais, o porcentual da Varig caiu de 78% no início do ano para 38% no mês passado.

FALÊNCIA

Apesar de a Justiça ter aprovado na segunda-feira a proposta de compra da Varig por US$ 500 milhões feita pela ex-subsidiária VarigLog, a empresa ainda não se livrou do risco de falência. Se a oferta da VarigLog for recusada na assembléia de credores que será realizada na segunda-feira, já há indicação do administrador judicial da companhia, a consultoria Deloitte, de que o caminho será a decretação da falência.

Há também a possibilidade de o novo dono da Varig herdar as dívidas fiscais e trabalhistas do grupo, hipótese que já havia sido afastada. Isso pode ocorrer, segundo uma fonte que acompanha a reestruturação da empresa, caso a chamada Varig antiga - que herdará as dívidas da empresa - quebre por má gestão de recursos.

Além da VarigLog, há indicações de que o empresário German Efromovich continua se movimentando para participar do novo leilão da Varig. Com muita discrição, o dono da OceanAir vem retomando conversas com credores da empresa e consultas com advogados. A proposta de Efromovich não mudou. O empresário se dispõe a pagar US$ 150 milhões pela Varig, mas só fará a oferta se a nova Varig vier limpa, sem sucessão de dívidas trabalhistas ou tributárias.

Segundo uma fonte em Brasília, o novo dono da Varig poderá contar com o apoio do BNDES. "O governo decidiu que a marca Varig será preservada e já sinalizou para a VarigLog que o BNDES poderá ajudar na reconstrução da companhia, ajudando a financiar a nova Varig."

A decisão do governo reflete os resultados de pesquisas de opinião pública sobre a Varig. A pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem, revela que o 43,8% dos entrevistados acreditam que o governo federal deve ajudar financeiramente a Varig. Outros 41,5%, porém, acham que a empresa não deve ser ajudada com recursos públicos.