Título: Nova lista da Planam tem mais nomes de políticos
Autor: Sônia Filgueiras
Fonte: O Estado de São Paulo, 03/06/2006, Nacional, p. A21

Registro estava em disco rígido da empresa e foi entregue ao Supremo

O Supremo Tribunal Federal (STF) está com arquivos da Planam, uma das empresas acusadas de fornecer ambulâncias superfaturadas no esquema desbaratado pela Operação Sanguessuga, que podem levar a novos nomes de parlamentares envolvidos nas fraudes. São listas com nomes e emendas de parlamentares, acompanhados de valores e números de contas bancárias, em um indicativo de pagamento de propina.

Os registros estão em um disco rígido que foi retirado de um computador da Planam por um colaborador de Maria da Penha Lino, ex-funcionária do Ministério da Saúde e da Planam presa e denunciada à Justiça por participação no esquema. O disco foi passado ao advogado de Penha, Eduardo Mahon, que o entregou ao Supremo há duas semanas. Por isso, não integra o material obtido pela Polícia Federal nas buscas e apreensões.

Além dos registros, há um arquivo, que, segundo Mahon, é a lista de contatos da Planam, com o nome de 283 parlamentares e as emendas para compra de ambulâncias. A lista, por ser genérica, é considerada menos relevante por autoridades que acompanham as investigações.

Mahon confirma o conteúdo do disco rígido, mas não dá detalhes, já que o processo está sob sigilo. Para uma pessoa que teve acesso aos registros, há elementos capazes de ampliar a lista de deputados investigados.

Até o momento, o Ministério Público Federal pediu ao Supremo a abertura de inquérito contra 15 parlamentares suspeitos de terem recebido propina do esquema em troca de emendas ao orçamento para compra de ambulâncias. Este grupo aparece no livro-caixa eletrônico da Planam apreendido pela PF. Na última semana, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, solicitou à Câmara a relação de todas as emendas parlamentares direcionadas à compra de ambulâncias feitas em 2003 e 2004.

O Ministério Público conta ainda com um arquivo apreendido pela PF que sugere pagamento de propina: a lista de fornecedores e clientes da Planam. Entre os quase 500 registros há 36 nomes - a maioria assessores de parlamentares -, com número de contas na agência do Banco do Brasil no prédio da Câmara. Em boa parte, o nome do assessor está associado ao de um parlamentar, em uma coluna destinada a "observações", indicativo de que esses assessores serviriam de intermediários no repasse de supostas propinas.

Em alguns casos, aparece o nome do próprio parlamentar e sua conta. É a situação, por exemplo, dos deputados Reginaldo Germano (PP-BA), Osmânio Pereira (PTB-MG) e Cabo Júlio (PMDB-MG) e do ex-deputado Ronivon Santiago, preso na Operação Sanguessuga.