Título: Detido é do escritório de Assef
Autor: Marcelo Auler
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/07/2006, Nacional, p. A4

O advogado criminalista Michel Assef, cujo escritório está envolvido na Operação Cerol da Polícia Federal, ganhou notoriedade no Rio após vários anos de militância na área esportiva, como vice-presidente jurídico do Flamengo. Sempre desfrutou de espaço generoso em parte da mídia carioca - ele oferecia seus serviços profissionais a vários jornalistas. Defendeu, entre outros famosos, o jogador Romário e o técnico Vanderlei Luxemburgo, o cantor Belo e a modelo e empresária Luma de Oliveira. Entre os presos pela PF, Monclair Eugênio Gama, sócio de Assef.

Assef também teve como cliente o deputado estadual Alessandro Calazans, acusado de crime de extorsão e inocentado por seus colegas da Assembléia Legislativa do Rio.

Eloqüente, gostava de se envolver em polêmicas com outro dirigente esportivo do Rio, o ex-deputado Eurico Miranda, presidente do Vasco. Usava a imagem do Flamengo para conseguir destaque e era muito requisitado para entrevistas.

Adepto de um estilo espalhafatoso, Assef chamou a atenção na CPI do Futebol, no Senado, em 2000, ao repreender publicamente Vanderlei Luxemburgo, por considerar que o treinador desdenhou de suas instruções no depoimento. "Ele achava que era mais brilhante que os senadores e que daria um nó em todos eles. Aconteceu o contrário", disse, na ocasião.

O chefe da Interpol no Brasil e delegado da PF Roberto Prel, que como delegado-executivo da Polícia Federal era o segundo homem na gestão do ex-superintendente José Milton Rodrigues, não foi preso, mas é investigado e viu seus colegas fazerem buscas em sua residência e seu gabinete. Três outros delegados, cujos nomes não foram revelados, também estariam sendo investigados.