Título: Brasil e Chile criam comissão
Autor: Denise Chrispim Marin e Marina Guimarães
Fonte: O Estado de São Paulo, 22/07/2006, Economia & Negócios, p. B6
Brasil e o Chile vão criar uma comissão de monitoramento do comércio bilateral, a exemplo da que já existe com a Argentina e com o Paraguai, anunciou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Ele destacou que o objetivo da comissão será o de "estimular o comércio" entre o Brasil e o Chile, conforme decisão tomada entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michelle Bachelet, durante café da manhã, ontem.
Furlan também defendeu as medidas cambiais a serem anunciadas no início da próxima semana ao dizer que "o País tem que ter medidas cambiais porque não pode perder o rumo do objetivo". Ele destacou que essas medidas "devem estimular as exportações".
O ministro comentou ainda a proposta do Brasil e da Argentina de eliminar o dólar de suas transações. Segundo ele, essa medida é parte de seu discurso de posse e "não foi aplicada antes porque o Guido (Mantega) não era o ministro da Fazenda". "É uma coisa maluca que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai tenham que fazer operação em dólar", reclamou, completando que esse tipo de transação é "burocrática" porque "se pode fazer diretamente em moeda local". Furlan considera que não será preciso "ter muita criatividade" para colocar a proposta em prática. "Já existe uma regulamentação nesse sentido, que permite transações em moedas locais na região de fronteira e só precisamos ampliar essa regulamentação", explicou.
PARAGUAI Em outra audiência paralela à 30ª Reunião de Cúpula do Mercosul, Lula encontrou-se anteontem à noite com o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, a quem prometeu analisar o pleito em relação à usina hidrelétrica de Itaipu. O paraguaio solicitou a retirada de um termo do tratado para a construção da usina binacional que, argumenta, representa uma "dupla indexação" da dívida do Paraguai com a usina.
Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo brasileiro não permitirá alterações na fórmula de reajuste da dívida paraguaia com o Tesouro Nacional - resultante da parcela do país vizinho na usina que foi coberta por um empréstimo brasileiro. Qualquer mudança resultaria, inevitavelmente, em aumento no preço da energia exportada pelo Paraguai ao Brasil - o que elevaria os custos para os consumidores brasileiros.
Mantega afirmou que uma nova reunião com os paraguaios deverá ocorrer na próxima semana. "Mas não para rever o tratado. Apenas para atender parte das reivindicações paraguaias, que não tem a ver com a revisão." De acordo com o vice-chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, o "Brasil ficou de fazer uma proposta para nos apresentar o mais breve possível."