Título: Concorrência externa é o maior desafio
Autor: Cleide Silva
Fonte: O Estado de São Paulo, 25/06/2006, Economia & Negócios, p. B6

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) comemora 50 anos de fundação em evento que reúne amanhã, em São Paulo, além do presidente Lula, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e do Trabalho, Luís Marinho, e executivos das montadoras.

A presença de tantas autoridades reflete a importância dada ao setor, considerado um dos motores da economia.

A Anfavea foi fundada em maio, um mês antes da assinatura, pelo presidente Juscelino Kubitschek, de decreto instituindo o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), que estabeleceu uma política industrial para o setor e criou bases para o início da produção nacional. Até então, as empresas importavam conjunto de peças e montavam carros no Brasil. Por isso são chamadas até hoje de montadoras.

Hoje, o setor reúne 24 fabricantes e é responsável por cerca de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do País e por 20% do superávit da balança comercial. Segundo a Organização Internacional de Construtores de Automóveis (Oica), o Brasil era, até 2004, o nono maior fabricante mundial de veículos. O ranking do ano passado ainda não foi divulgado.

A festa de meio século ocorre num momento em que a indústria registra recordes de produção - que este ano vai passar de 2,4 milhões de veículos - e de exportação. Paralelamente, duas das três maiores fabricantes do setor anunciam demissões alegando perda de contratos externos.

O caso mais grave é o da Volkswagen, que pretende demitir 6 mil trabalhadores até 2008, ou 25% do seu quadro atual. Além do problema cambial, o grupo aproveita para implantar um processo de reestruturação ensaiado há vários anos. Até agora, Lula não se pronunciou sobre o assunto.

A General Motors vai demitir 960 funcionários na fábrica de São José dos Campos até o fim de julho, mas anunciou quase igual número de contratações na unidade de Gravataí (RS), onde produzirá um novo modelo derivado do Celta.

Aos 50 anos, a indústria automobilística enfrenta grande desafio de competitividade frente a mercados menos tradicionais no ramo, que crescem em alta velocidade como China, Índia, Rússia e Irã.

¿Precisamos retomar novo ciclo de investimentos para enfrentar a concorrência mundial¿, diz o presidente da Anfavea, Rogelio Golfarb, que cobra do governo política industrial que possa atrair mais aportes das matrizes. ¿Vai sobreviver quem tiver custo baixo, qualidade e capacidade de criar projetos próprios para atender mercados externo e interno.¿