Título: Termina greve branca de presos
Autor: Marcelo Godoy e Chico Siqueira
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/06/2006, Metrópole, p. C4

Acabou a greve branca dos presos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A paralisação, iniciada na terça-feira passada, estendeu-se até sexta-feira. Durante esses dias, os detentos se recusaram a comparecer às audiências judiciais, o que é considerado falta grave dentro do sistema prisional. O protesto foi feito em solidariedade à cúpula do PCC, que está na Penitenciária 2 (P2) de Presidente Venceslau, e ao preso Marcos Camacho, o Marcola, ouvido pelos deputados federais da CPI do Tráfico de Armas.

Para a inteligência da Polícia Civil, o movimento feito pelos presos pode ter servido para testar a capacidade de mobilização simultânea do PCC nos presídios sem o uso de telefone celular. Isso porque, quando a greve branca começou, os líderes da facção ainda estavam isolados na P2 de Venceslau, área na qual o sinal de celular estava bloqueado por ordem judicial - só na quarta-feira a Justiça mandou restabelecer o sinal. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) vai averiguar a responsabilidade pelo movimento da semana passada e punir os líderes.

TELEVISÃO

O dia hoje pode ser tenso nas prisões. É que a inteligência da Polícia Civil recebeu informações sobre uma possível ação do PCC, aproveitando o movimento atípico em virtude da partida da seleção brasileira contra a Croácia, pela Copa do Mundo.

Parte dos criminosos do PCC que estão na P2 vai assistir ao jogo. É que ontem eles saíram do Regime de Observação (RO), o isolamento a que ficam submetidos detentos transferidos de uma penitenciária para outra. No RO, o detento não pode receber visitas ou ter banho de sol. Também não pode receber aparelho de TV da família. Como saíram do RO, os presos que tinham televisores retidos na administração da penitenciária puderam recebê-los - todo detento têm direito a uma TV de 14 polegadas em sua cela.

Os 750 detentos da P2 foram levados a Venceslau em 11 de maio, o que deflagrou a megarrebelião nas prisões, antes planejada para agosto. Além de exigirem o direito a visita no Dia das Mães, detentos queriam receber TVs que a cúpula do PCC tinha deixado na Penitenciária 1 de Avaré, onde estava a maioria dos líderes da facção.

O problema com as TVs é que elas chegaram ao presídio sem nota fiscal ou comprovação de origem. Os presos queriam colocá-las na área comum, como se fossem telões, para assistir aos jogos. A SAP só permitirá a entrada de TVs em Venceslau com nota fiscal, o que vale para os demais presídios.