Título: Caixa já liberou R$ 5,3 bilhões para compra de imóvel este ano
Autor: Adriana Chiarini
Fonte: O Estado de São Paulo, 13/06/2006, Economia & Negócios, p. B6
A Caixa Econômica Federal liberou R$ 5,3 bilhões em crédito imobiliário este ano, até sexta-feira. O valor é recorde para o período, e corresponde ao que foi liberado pela Caixa durante todo o ano de 2002, que também foi recorde. "Isso indica que facilmente serão aplicados os R$ 10,3 bilhões de meta para 2006 e talvez até seja necessário ampliar o orçamento disponível para habitação", disse a presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, em apresentação na sede do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio).
No ano passado, o banco estatal liberou R$ 9 bilhões. A previsão de Maria Fernanda é que, incluindo os bancos privados, mais de R$ 18 bilhões em crédito imobiliário sejam liberados este ano, valor que também será recorde.
A Caixa quer aumentar seu crédito a construtoras e deve anunciar "em breve" novas condições de acesso às linhas de imóvel na planta e de apoio à produção. "Também estamos desenvolvendo uma linha de crédito que, de forma estruturada, se adaptará às condições e necessidades de cada construtora com risco de crédito aprovado na Caixa", afirmou a presidente. A instituição deseja que a nova linha considere as particularidades do mercado imobiliário de cada Estado brasileiro.
Apesar de ter produtos para todas as faixas de renda, a Caixa está dando prioridade a habitações para famílias com renda de até cinco salários mínimos, para as quais há subsídio do governo. Quase 92% do déficit habitacional de mais de 7 milhões de moradias está nesse segmento.
EXPANSÃO
Segundo a presidente da Caixa, o setor da construção civil se expandiu 7% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, e é um dos setores que está impulsionando o crescimento econômico este ano. Maria Fernanda considera possível que a geração de riquezas do País neste ano, o Produto Interno Bruto (PIB), pode crescer a uma taxa superior à da inflação, "fato que não ocorre desde os anos 50". Essas expectativas, porém, estão mais otimistas que as médias do mercado financeiro e mesmo que as do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que é estatal como a Caixa.
Maria Fernanda observou que a expansão dos investimentos (de 3,7% sobre o quarto trimestre de 2005) foi um dos destaques da pesquisa do PIB no primeiro trimestre. "Isso aponta que a oferta está crescendo em um ritmo superior à demanda, o que diminui as possibilidades de termos pressões inflacionárias nos próximos meses."
Por isso, disse, a taxa de juros de curto prazo, a Selic, e a de longo prazo, a TJLP, devem prosseguir sua trajetória de queda. "Talvez na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) tenhamos uma Selic inferior à barreira psicológica de 15% e alcancemos a menor taxa básica nominal dos últimos anos", afirmou.