Título: PDT se divide, mas decide lançar Cristovam
Autor: Marcelo Auler
Fonte: O Estado de São Paulo, 20/06/2006, Nacional, p. A4
Numa convenção tumultuada, o PDT decidiu ontem lançar o senador Cristovam Buarque (DF) como candidato à Presidência. O pedetista era o único pré-candidato declarado do partido. Foram 236 votos a favor da candidatura, 97 contra e 68 delegados ausentes. Cristovam anunciou que a partir de hoje começa a pensar nas campanhas estaduais e prometeu subir no palanque dos candidatos - um recado a Jackson Lago e Alceu Colares, que concorrem aos governos do Maranhão e do Rio Grande do Sul e eram contra a candidatura própria.
Outro que se preocupou com a busca da unidade foi o presidente do PDT, Carlos Lupi, que anunciou sua ida ao Rio Grande do Sul - onde a divisão entre favoráveis e contrários à candidatura própria era maior - para homenagear Leonel Brizola, cuja morte completa dois anos na quinta-feira. Colares, que deixou a convenção antes da proclamação do resultado, reconheceu a derrota e prometeu participar da campanha. "O PDT fará a melhor eleição de sua vida em 2006, não temos medo da cláusula de barreira", afirmou Lupi.
A convenção, com mais de 400 delegados, teve momentos tensos, principalmente quando o presidente do diretório gaúcho, Matheus Shmidt, deixou a sede do partido, no Rio, acusando Lupi de ter manipulado a votação sobre a forma de encaminhar a discussão a respeito da candidatura própria. Foi preciso que Paulinho, da Força Sindical e presidente do PDT paulista, fosse buscá-lo na rua, garantindo que todos os diretórios exporiam sua situação.
Em outro momento, o líder do Movimento Negro do Rio, Luiz Eduardo, que defendia o candidato próprio, quase agrediu o deputado estadual de Mato Grosso Dagoberto Nogueira, que era contra. A polarização dividiu até os netos de Brizola: enquanto o vereador carioca Carlos Daut Brizola foi a favor, seus primos Juliana e Leonel Brizola Neto votaram contra.
Na saudação que fez aos convencionais já como candidato, Cristovam procurou ser diplomático, para aproximar os que eram contrários a seu nome. Defendeu bandeiras tradicionais do Brizolismo, tal como o ensino público em horário integral. "Vamos promover o ensino público em horário integral, para atender aos 40 milhões de crianças e adolescentes que estão fora da escola ou estudando em escolas públicas sem qualidade", afirmou.
Apesar de os partidos terem até o dia 30 para fazer convenções, Lupi diz que ainda negocia alianças. Uma delas deve ser com o PHS. O pedetista explicou que, seguindo norma de Brizola, caberá a Cristovam escolher, com a participação do partido, seu candidato a vice. "Vamos fazer campanha para ganhar, mas ganhar mesmo, a eleição", disse Lupi.