Título: Conferência não aprova cessar-fogo
Autor:
Fonte: O Estado de São Paulo, 27/07/2006, Internacional, p. A12

A conferência internacional para o Líbano, realizada ontem em Roma, com representantes da ONU e 18 países, incluindo EUA, nações européias e árabes, não chegou a acordo para um cessar-fogo imediato no conflito, o que já era esperado, dada a oposição dos americanos, aliados de Israel.

O encontro terminou com um chamado pelo fim da violência e envio à região de uma força de paz sob o mandato da ONU - sem que se entrasse em detalhes sobre sua composição. A secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, afirmou que o principal objetivo dessas tropas será ajudar o governo libanês na ação de desarmar o Hezbollah, medida que teria o apoio do primeiro-ministro do Líbano, Fuad Siniora, que esteve na conferência e fez um apelo emocionado pelo cessar-fogo imediato (Israel, Síria e Irã não foram convidados).

Siniora disse a jorna listas que Israel só pode ter esperança de viver em paz e segurança tendo boas relações com os vizinhos. Uma maneira para isso - afirmou - seria negociando a libertação dos presos libaneses, a devolução das Fazendas de Shebaa - pequena área na fronteira que a Síria diz ter cedido ao Líbano, mas Israel alega ser parte das colinas sírias do Golan (que ocupa desde 1967)

O plano inicial de mandar um contingente da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi deixado de lado após essa aliança de países alegar estar sobrecarregada (tem tropas no Afeganistão). Aparentemente, a Otan não quis envolver-se no conflito. Em entrevista ao Le Monde, o presidente francês, Jacques Chirac, afirmou que "a Otan é vista no Oriente Médio como braço armado do Ocidente".

No comunicado final, os diplomatas dos EUA, Europa, Egito, Jordânia e Arábia Saudita pediram a realização de uma conferência regional, que incluiria Síria e Irã. Segundo o New York Times, o documento adotou uma linguagem nebulosa, que reflete o desejo dos EUA de dar a Israel mais tempo para continuar o bombardeio de alvos do Hezbollah. A divulgação do texto foi adiada por duas horas por divergências sobre o cessar-fogo. E Condoleezza venceu. Ela insistiu que deveria ser escrito "trabalhar imediatamente para obter um cessar-fogo" em vez de "trabalhar para obter um cessar-fogo imediato".

A insistência reflete a visão dos EUA de que o conflito não será resolvido, de modo duradouro, a menos que Israel tenha luz verde para diminuir a capacidade militar do Hezbollah.