Título: Apelos não detiveram ataque a posto da ONU
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Fonte: O Estado de São Paulo, 27/07/2006, Internacional, p. A12

Representantes da ONU telefonaram pelo menos dez vezes, em seis horas, para o Exército de Israel terça-feira para pedir que interrompesse o bombardeio ao posto de observação da ONU na cidade de Khiyam, no sul do Líbano, que causou a destruição do posto e a morte de quatro observadores. Informe preliminar da organização diz que em cada telefonema um oficial prometia parar o bombardeio, mas isso não ocorreu.

Ontem, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, ligou para o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para manifestar "profundo pesar" pelas mortes e pedir desculpas, mas rejeitou a acusação de que o bombardeio foi proposital. Ele disse que o ataque foi um erro e pedirá "investigação exaustiva" sobre o episódio.

Annan aceitou as desculpas, mas manteve sua posição. "O ataque a um posto estabelecido já faz tempo aconteceu apesar das garantias (de Israel) de que as posições da ONU seriam respeitadas", disse. "O bombardeio começou de manhã e se estendeu até depois das 19 horas. Nosso pessoal estava em contato com o Exército para adverti-lo e pedir que não atacasse."

A secretária-assistente da ONU para as forças de paz, Jane Lute, informou ao Conselho de Segurança que fez várias ligações à missão de Israel na ONU para pedir a interrupção do bombardeio. Ela disse que a força de paz no Líbano, conhecida como Unifil, conseguiu salvo-conduto para uma operação de resgate, mas os veículos enviados também foram atacados.

Ontem à noite, o Conselho de Segurança da ONU não chegou a um acordo sobre um pronunciamento para condenar o ataque israelense. A China havia exigido que o conselho se pronunciasse, mas os EUA teriam vetado uma condenação. De acordo com diplomatas as negociações sobre o assunto serão retomadas hoje.

O ataque foi condenado pelos países que tiveram observadores mortos - China, Finlândia, Áustria e Canadá -, pela União Européia e outros. O Brasil reforçou ontem os pedidos para uma investigação do caso.